Música: A Saudável e a Não Saudável – por Rebekah Branham Smith


MÚSICA

A SAUDÁVEL E A NÃO SAUDÁVEL

 

UM APROFUNDAMENTO ESTUDO DA FORMA DE EXPRESSÃO HUMANA DE MAIOR INFLUÊNCIA

POR REBEKAH BRANHAM SMITH

 

Este artigo foi escrito em 1991 por Rebekah Branham Smith, que foi chamada ao seu descanso Eterno no dia 28 de Novembro de 2006.

Em sua memória estamos republicando o artigo original, para o benefício de todo aquele que traduzido ao português, verdadeiramente ama a música e deseja agradar a Deus na adoração, no tocar e no escutar. Com frequência tem sido dito, “Este livro deveria ser leitura obrigatória para todos os crentes da Bíblia”.

Você também achará muito útil as citações cronologicamente incluídas neste livro extraídas dos sermões do Rev. William Marrion Branham. Outros assuntos estão disponíveis para estudo. 


Nota Importante Sobre a Versão em Português

A revisão técnica deste livro se deu observando também a versão em inglês como em espanhol, que foi traduzida pelo editor George Smith, que participou do processo criativo na ocasião do mesmo, o qual nos prestou consultoria durante todo esse processo, a fim de preservarmos e transmitirmos com exatidão em língua portuguesa o real significado de cada linha nele contido. Tomamos este cuidado, pois traduções feitas até então continham exagerados erros, com um número excessivo de palavras e expressões equivocadas ou mal empregadas, invalidando assim toda obra anteriormente disponível.

Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em quaisquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa central de atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão.


Apresentação

No caso de alguém estar se perguntando do porquê escolhemos um hinário bastante usado para preencher a contracapa, creio que devem saber que não é um hinário qualquer. Este livro verde e eu começamos juntos faz muitos anos. A irmã Gertie Gibbs, que era a pianista do Tabernáculo Branham naqueles dias, comprou novo e me presenteou quando comecei as aulas de piano. E me disse: “primeiro aprenda a tocar “Somente Crer”.

Muitas Páginas estão dobradas, e algumas tem marcas a lápis. Isto porque sempre haviam hinos favoritos que desejávamos achar rapidamente quando em casa papai perguntava: “quem tem um hino favorito para cantarmos esta noite?” Na verdade, eu tinha a última palavra porque todos dependiam se eu podia tocá-lo ou não, e naquela época (como também hoje) meu repertório era muito limitado.

Mamãe gostava de hinos lentos, Sara de hinos rápidos. José de qualquer hino desde que fosse a todo volume, e os favoritos de papai era os hinos de trabalho. “Logo vem a noite é tempo de trabalhar”, era algo que ele cantava.

Ao escrever este artigo sobre a “Musica, A Saudável e Não Saudável”, me fez ver o quanto me faz falta estes hinos antigos. A diferença entre os hinos antigos o os novos que se ouve em nossas igrejas hoje é como se comparássemos a Bíblia versão King James [em português equivale a versão Almeida Corrigida Fiel – NT] com alguma das novas traduções. É que simplesmente não tem unção.

Eu creio que o tema da música deve receber uma consideração muito séria de cada verdadeiro crente hoje em dia. Por muito tempo temos menosprezado a capacidade de nosso adversário neste terreno. Porém, faça você mesmo esta pergunta: Se você fosse satanás, por onde você levantaria seu ataque contra a juventude desta Mensagem? Estamos certos que nossa música está em harmonia com a com a Palavra de Deus.

Rebekah Branham Smith


Introdução

“Não importa em quão bom lar uma criança tenha sido criada e como ela tenha sido ensinada a fazer o que é certo; se aquela criança não tiver aceitado a experiência do Novo Nascimento, a música do rock and roll chamará a sua atenção no instante em que ela a ouvir. Porque nela – nascido nela por natureza -, há um espírito carnal. E o poder do diabo é tão forte hoje que captura o espírito daquele pequenino.” [William Branham, Mensagem Sem Dinheiro e Sem Preço – 59-0802.]

Os americanos são apaixonados em música. É um vício que só no ano passado nos custou sete bilhões de dólares e contribuiu para fazer da música a indústria mais próspera do mundo. [Estatísticas cortesia de Los Angeles Times-Washington Post News Service, números de Novembro de 1991.- NT] No entanto, não estamos sozinhos. O mundo inteiro se conectou conosco para se tornar parte do maior fenômeno social de toda a história: a música rock and roll.

Rock é agora uma velha geração, e isso em si não é nada menos que um milagre para algo que foi descartado pela geração anterior como um sucesso passageiro, que entra por um ouvido e sai pelo outro, mania de adolescente. Embora vivamos em uma era de mudanças radicais, o rock foi capaz de assimilar, integrar e até mesmo transformar seu caminho por quase cinco décadas para se tornar algo que é muito mais do que música aos ouvidos dos crentes do rock. Ressuscitando os atributos espirituais profundamente arraigados de seus antepassados, o rock alcançou agora o elevado status de deificação. Em todos os sentidos, tornou-se uma religião, completa, com um contingente pleno de seus próprios sumos sacerdotes e falsos profetas.

Parece incrível, não é mesmo? Mas você já parou para se perguntar o que é que torna o rock diferente de outras músicas? Por que ele é tão poderoso? Qual é a sua fonte e para onde nos leva? Infelizmente, a maioria das pessoas nunca se detém para analisar a multiplicidade de sons que as bombardeiam diariamente e isso pode até ser fatal. Claro, isso não acontece da noite para o dia. Conta-se que se você jogar um sapo em uma panela de água fervente, ele pulará tão rápido que nem mesmo será escaldado. Mas pegue o mesmo sapo e o coloque em uma panela de água morna, e então ferva gradualmente a água. O sapo vai se permitir ser cozido lentamente até a morte.

Será que nós, os Cristãos, estamos sendo lentamente condicionados a aceitar as atitudes persuasivas, sutis e permissivas ao nosso redor, e isso sem que nos demos conta? Como crentes desta gloriosa Mensagem, quão vulneráveis estamos ante a essas atitudes?

Estas são perguntas que merecem respostas hoje mesmo, e é sobre isso que trata este artigo. Mas se prepare: esta não vai ser uma leitura fácil, e você não poderá digerir rapidamente. Mas quando terminar, você saberá como testar a temperatura da água em que você está agora. Eu desafio a você mesmo a fazer a prova, antes que seja tarde demais. 


Origens

“Certa noite, eu estava com o irmão Wood e o irmão Sothmann, e eu estava olhando para os céus. Um grande temor veio sobre mim, e eu disse: “Olhem para toda aquela grande hoste celestial, e como tudo está perfeitamente em harmonia!” [A Maior Batalha Já Pelejada – 62-0311]

A harmonia pertence a Jeová, pois nela Ele revela tanto a natureza (caráter) quanto o relacionamento com a Sua criação. Como o Eterno, Ele estabeleceu os limites de um universo harmonioso, unindo as estrelas e o globo em perfeita harmonia com as vozes de todos os seres celestiais. Ele misturou as melodias da vida e os ritmos da natureza em um ecoante coro. Ao testemunhar Sua obra, ” … as estrelas da manhã cantaram juntas, e todos os filhos de Deus gritaram de júbilo.” Jó 38:7. Seu prelúdio estava sendo tocado; o Criador foi adorado por Sua criação, e a adoração trouxe Deus em cena.

Louvar a Deus é a função mais alta que qualquer criatura pode realizar. Cada ser vivo é ordenado a se alegrar nas obras de Deus, fazer um alegre barulho, cantar e tocar música, que glorifica o Todo-Poderoso. Na eternidade passada, a música celestial era um dever do querubim ungido, um ser com habilidade musical expressa desde o dia de sua criação (Ezequiel 28: 13-15). Ele era perfeito em todos os seus caminhos e possuía beleza e sabedoria, atributos que pela sua própria razão o faziam igual a Deus. Assim, ele desejou ser adorado da mesma maneira que Deus – uma falsa ambição que trouxe a iniquidade para a morada de Deus – e por isso ele foi lançado do monte santo do céu.

“A primeira batalha jamais pelejada começou no Céu quando Miguel e seus anjos pelejaram contra Lúcifer [Satanás] e seus anjos. O pecado não se originou na terra, originou-se no Céu e, então, ele foi expulso do Céu – lançado do Céu para a terra – e caiu sobre os seres humanos”. [A Maior Batalha Já Pelejada – 62-0311]

De seu refúgio terrestre, esse anjo caído projetou um plano sutil, porém astuto, para corromper o paraíso de Deus e estabelecer seu próprio reino em seu lugar. Ele não podia criar, mas podia perverter. “O que Deus criou para Si mesmo, Satanás veio para destruir. Então a batalha começou aqui na terra e começou em nós. E está rugindo desde então.” [A Maior Batalha Já Pelejada – 62-0311]

Com grande habilidade, Satanás começou a introduzir a sensualidade como substituto da espiritualidade; ele elevou o conhecimento acima da revelação; ele equiparou a santidade à beleza física. Toda habilidade que possuía ele aplicou em um só propósito e em um só objetivo: a sedução das almas humanas. Quais foram as suas ferramentas? Melodia e ritmo, pois Satanás era um músico mui talentoso.


 Você sabia?

O livro mais longo da Bíblia é Salmos, com 150 capítulos e um total de 2.461 versos.

O capítulo mais longo da Bíblia é o Salmo 119, que tem 176 versos. O capítulo mais curto da Bíblia é o Salmo 117, que tem apenas dois versos e um total de 32 palavras. 


O Que A Bíblia Ensina Sobre a Música

“O ser humano tem que adorar. Você tem que adorar algo. Está em você adorar.” [O Estranho, 64-0531]

A Bíblia nos diz que o Senhor tem prazer nos louvores de Seu povo (Salmo 22.3). Há mais de 500 referências específicas na Bíblia sobre música e instrumentos musicais [Frank Garlock, O Grande Compasso, uma Explosão da Rocha. Bob Jones University Press, 1971, pág. 15. – NT], evidência de que este não é um assunto que Deus trata como algo de pouca importância. Inclusive, o livro mais extenso da Bíblia é um hinário, e é aqui que Deus demonstra Seu interesse com o tipo de música que Seus filhos desfrutam e executam, fornecendo este exemplo para nós seguirmos: O Livro dos Salmos.

A coleção de 150 poesias que compõem o Livro dos Salmos reflete os ideais de piedade religiosa e comunhão com Deus. Eles foram escritos por Davi, Moisés (Salmo 90), Salomão, Asafe (líder do coro de Davi), os filhos de Corá (uma família de músicos oficiais) e outros, com o propósito expresso de serem musicados para adoração. Eles incluem até mesmo notações musicais para indicar quando as principais mudanças devem ser feitas. Por exemplo, a instrução selah, que significa “modular para a próxima chave”, aparece 71 vezes no Livro dos Salmos e normalmente não é articulada quando as Escrituras estão sendo lidas em voz alta.

Do idioma hebraico, o livro de Salmos se traduz como “Livro de Louvor”. Esse era o livro de orações que nosso Senhor Jesus usava no culto da sinagoga, e era o hinário dele no festival do Templo. Ele o usou em Seu ensino, refutou tentação com isso, cantou o Hallel (Salmos 115-118) depois da Última Ceia, citou-o quando estava pendurado na cruz, e morreu com isso em Seus lábios. [“O Livro dos Salmos”, Novo Dicionário Bíblico, 2ª edição, Tyndale House Publishers, 1984, pág.996 – NT] O Livro dos Salmos continua sendo o hinário nacional de Israel hoje.

Longe de promover um só estilo, os salmos vão desde as apresentações clássicas (escritas para os músicos do Templo), até as baladas simples [poema ou canção narrando uma história em estrofes curtas – NT], mas expressivas, que Davi compôs enquanto cuidava de suas ovelhas. No Livro de Salmos você encontrara canções com a finalidade de animar, canções de marcha, canções de vitória e canções de ensinamento. Também há canções de arrependimento, de lamentação, de petição, de louvor, de renovação e de ação de graças. Há canções para santos e para pecadores.

O Livro dos Salmos tem sido chamado de ‘a porta para o templo de louvor e oração’, e em todas as eras e em mais de mil idiomas a igreja tem descoberto o acesso a Deus por meio do Saltério.

A Bíblia também nos mostra que o homem desde muito tempo está ciente do efeito da música em nossa existência diária e seu poder de influenciar ao ser humano tanto no âmbito físico quanto emocionalmente.

Em I Samuel 16:14-23, as Escrituras relatam um exemplo de como um homem foi curado – no corpo, alma e espírito -, através da música de um jovem, pastor de ovelhas.

E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio [físico], e se achava melhor [mental], e o espirito mau se retirava dele [espiritual].”

Em II Reis 3:15, vemos que o profeta Eliseu certa vez usou a música para criar uma atmosfera na que ele pudesse “Consultar ao Senhor” pelos reis de Israel, Judá e Edom.

“Ora, pois, trazei-me um músico. E sucedeu que, tocando o músico, veio sobre ele a mão do Senhor.”

Quando as tribos de Israel se preparavam para guerrear contra seus inimigos, II Crônicas 20: 21-22 nos relata que eles colocaram um coro e instrumentos musicais adiante do exército.

“… e [Josafá] ordenou cantores para o Senhor, que louvassem à Majestade santa, saindo diante dos armados, e dizendo: Louvai ao Senhor porque a sua benignidade dura para sempre.

E quando começaram a cantar e a dar louvores, o Senhor pôs emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá, e foram desbaratados.”

No Novo Testamento, no Livro de Atos, capítulo 16, encontramos o relato de dois líderes da igreja cristã primitiva, Paulo e Silas, que foram lançados na prisão por pregar o Evangelho. Eles usaram a oportunidade para ministrar, através da música, e assim glorificar a Deus.

“E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos.”

Vamos, então, revisar o que acabamos de aprender com essas passagens bíblicas:

1) Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a música era algo vital na vida do crente, tanto como uma expressão de alegria quanto como um ato de obediência a Deus;

2) Deus nos deu instruções (por meio de exemplos) sobre os tipos de música que Ele deseja que Seu povo tenha;

3) Longe de ser meramente uma recreação neutra, a música tem o poder de nos influenciar nos aspectos mental, físico e espiritual;

4) Existem certos tipos de música que podem incomodar tremendamente aos demônios; e

5) A música pode criar uma atmosfera aonde Deus pode operar milagres.


Você sabia?

Existem 1.897 versículos na Bíblia tratando da separação do mundanismo.

“E não tenhais comunhão com as obras infrutíferas das trevas, mas antes reprovai-as” Efésios 5:11


A Música e A Religião Através das Eras

“Assim que saíram da Presença do Senhor, começaram a construir cidades, começaram a fabricar instrumentos, começaram na ciência, fazendo latão e ferro, e começaram a tocar música. De onde veio? Quem saiu? Caim, a semente da serpente.” [O Poder de Transformação – 65-1031]

Dentro do homem existe um impulso de adoração, inerente à sua natureza. Deus inclusive proveu nossos seres físicos com um instrumento através do qual podemos declarar nossa devoção: a voz humana. Quando escolhemos variar a melodia e o ritmo de nossos sons vocais, o resultado é música, e não existe nada que caracteriza a plena essência da adoração como as canções simples (sem adornos) do homem.

A Bíblia nos dá pouquíssimas pistas escritas sobre a primeira música produzida pelo homem, mas nossas antigas tradições vocais existentes, como a do cantor judeu, o muçulmano Muezzin chamando os fiéis à oração, ou até mesmo o canto do índio norte-americano, indicam que as primeiras expressões musicais da humanidade provavelmente fizeram parte de sua experiência religiosa. Com o desenvolvimento das habilidades musicais do homem, ele começou a fabricar instrumentos a partir do que encontrou na natureza: ossos, chifres, casca de salgueiro, pele de animal e tripa. Então ele adaptou esses materiais para atender às suas necessidades pessoais. Jubal, o tataraneto de Caim, era “o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (música instrumental) Gênesis 4:21, assim refletindo o amor à beleza e às artes, a qual era sua primogenitura.

Com o tempo, à medida que os homens desenvolveram suas habilidades artísticas, a música começou a assumir muitas formas e a desempenhar muitas funções, tanto sagradas como profanas. De geração em geração, a expressão musical desempenhou um papel tão vital no desenvolvimento cultural que a moral religiosa e os valores sociais de uma dada comunidade refletiam-se na qualidade da música que eles produziam.

A maioria das músicas produzidas pelas pessoas da Bíblia nunca se desenvolveu além de simples canções homogêneas e cantos com acompanhamento básico de harpas, trombetas e címbalos. Grande parte da música hebraica foi consagrada ao serviço do culto do Templo, mas ao longo das Escrituras existem numerosos relatos de uso secular também: canções de triunfo após vitória, canções em celebrações e festivais de casamento, canções para pastores e para reis.

Nos grandes templos do Egito antigo, os sacerdotes treinavam coros no canto da música ritual para os deuses pagãos. Suas canções eram complementadas pelos sons das batidas de varas e discos.

Ao mesmo tempo, em outras partes do mundo, sociedades mais primitivas evocavam suas divindades em um selvagem abandono do fervor religioso e do êxtase emocional, acompanhadas pela batida de ritmos sincopados em um tronco oco. [Em música, síncope é uma figura rítmica caracterizada pela execução de som em um tempo fraco, ou parte fraca de tempo que se prolonga até o tempo forte, ou parte forte seguinte de tempo, criando um deslocamento da acentuação rítmica. Wikipédia – NT]

A música sempre deixou evidências de seus efeitos sobre uma determinada sociedade. Pode-se até traçar a ascensão e queda das civilizações fazendo um estudo paralelo dos tipos de música ouvidos durante a era correspondente. [Bob Larson, O Dia Que a Música Morreu, Creation House, 1972, pág. 133 – NT] Quatrocentos anos antes do nascimento de Cristo, o filósofo grego Platão disse: “Quando as modulações da música mudam, as leis fundamentais do estado também mudam com elas. Na insensatez, eles se enganaram ao pensar que não havia certo ou errado na música, que ela deveria ser julgada boa ou ruim pelo prazer que produzia”

Na época de Cristo, tanto a música vocal como a instrumental era abundante. Jesus e Seus seguidores participaram da música tradicional da sinagoga judaica e, sem dúvida, ela influenciou diretamente as primeiras canções cristãs. As melodias ornamentais cantonais foram adaptadas aos novos ensinamentos de Cristo e absorvidas pela crescente fé cristã. Era prática comum um cantor servir uma sinagoga na noite de sexta-feira e depois colocar suas habilidades à disposição dos cristãos no domingo. [Yehudi Menuhin, A Música do Homem, Simon And Schuster Inc., Nova lorque, 1979, pág. 46 – NT]

A música instrumental não teve lugar algum na vida da igreja cristã primitiva. Os instrumentos tinham associações demais com a vida corrupta de Roma, e se considerava que só a voz possuía a pureza e a nobreza dignas do ouvido de Deus.

O canto do precentor [cantor encarregado da organização dos cantos litúrgicos numa igreja – NT] evoluiu gradualmente para um canto em uníssono lento chamado Cantochão [Cantochão é a denominação aplicada à prática monofônica de canto utilizada, desde os primórdios da Idade Média, com os monges reginaldinos, por cantores nos rituais sagrados, originalmente desacompanhada. Ed. Wikipédia – NT] (mais tarde conhecido como canto gregoriano), que dominou a adoração cristã por mil anos. Durante a Idade Média, houve uma tentativa por parte da igreja de obter amplo controle da música, considerando que certos harmoniosos e os qualificaram como blasfemos e indignos de refletir a glória de Deus. A igreja denunciou todas as músicas que não eram santificadas por um texto sagrado.

Em 1517, Martinho Lutero fixou suas Noventa e Cinco Teses na porta da igreja em Wittenberg (acusando a Igreja Católica Romana de corrupção). E a Reforma nasceu. Lutero, sendo um músico talentoso, descartou grande parte da antiga música eclesiástica e escreveu novos hinos, empregando a linguagem do povo nas canções sacras ao invés do latim. Ele declarou: “Nada na terra é mais poderoso que a música nobre para animar ao triste, moderar o arrogante, dar valor ao deprimido; levar o altivo à humildade e terminar com a inveja e o ódio.”

Lutero acreditava que a música na igreja servia como uma mensagem ressonante e ele é reconhecido por dizer que não se importava quem pregava, contanto que ele pudesse escrever o hino. Ao reconhecer a força e a energia da música na experiência de adoração no culto, Lutero, sozinho e sem ajuda, estabeleceu o canto congregacional como uma parte importante do culto da igreja cristã. Elementos de harmonia, que haviam sido reservados anteriormente para músicos eruditos da igreja, estavam agora sendo dominados e cantados pelas pessoas comuns. A música e a adoração religiosa chegaram a fundir-se em uma única experiência inseparável. Parecia que a comunhão de uma fé comum poderia ser expressada através da música com muito mais eficácia do que através de um cânone formalizado, dogma ou ritual da igreja.

Em uso secular, a música estava se tornando uma miscelânea de sons. O choque das culturas, lançadas pelas Cruzadas em 1096, reuniu muitas tradições musicais diferentes e, cada vez mais, essas novas harmonias e ritmos penetraram na música da Europa. Perto do final do século XVI, os novos métodos de impressão e um novo sistema de notação musical possibilitaram a duplicação de todo tipo de música e a colocaram no mercado aberto. Foi o alvorecer de um novo dia tanto para o compositor quanto para o intérprete. A música estava a caminho de se tornar uma linguagem universal.

Com o passar dos séculos, houve também uma forma de música mais sombria e sinistra, encontrando expressão e estabelecendo seu lugar dentro da irmandade musical da humanidade. Essa música envolvia uma complexa teologia primitiva abrangendo fetiches, totens e magia. Nasceu nos encantamentos sacrificiais de um deus do rio, alimentado pelos horrores inimagináveis da escravidão e liberado no Novo Mundo para guerrear com o Deus do cristianismo. Foi chamado de “vodu” e sua batida pulsante profetizou o fruto perverso que produziria.

No início dos anos 1600, a colonização ocidental de outras terras estava se desenvolvendo rapidamente. Colônias espanholas e portuguesas no Novo Mundo e na África já estavam bem estabelecidas, e uma armada de navios operada por comerciantes de escravos cruzava as águas da Europa Ocidental até a costa da África. Depois de pegar sua carga humana, eles continuariam sua viagem pelo Atlântico sul até o Brasil, a América Central, as Antilhas e o Novo Mundo. E onde quer que eles fossem enviados, os escravos levavam sua música consigo – uma inspiração agonizante que se tornaria a pedra angular que virtualmente toda expressão musical americana haveria de seguir. [Davin Ceay e Mary Neely, Escada para o Céu, as raízes espirituais do Rock and Roll, Ballantine / Epiphany Books, 1986, pág. 9. – NT]

Quando o Novo Mundo estava sendo reconhecido como um florescente campo missionário pelos vários descendentes do movimento de reforma de Lutero, o ritmo e a melodia da África já haviam se mesclado às harmonias da música europeia, que a igreja havia nutrido com tanto cuidado, e ali nasceu uma nova e poderosa forma musical.


Raízes Espirituais

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;” Efésios 5:19.

Por três séculos, uma inundação de humanidade entrou no Novo Mundo. Os de boa vontade vieram da Europa; os poucos dispostos vieram da África. Eles eram senhores e escravos, e nada jamais cobrou um preço tão alto na consciência de uma nação como a instituição da escravidão na América. Mas da agonia e sofrimento dos negros cativos foi gerada uma fé heroica a que, ao longo dos anos, foi dada uma voz que ecoaria através da terra para todas as gerações vindouras. Para os escravos elas eram conhecidas como “canções tristes”, ou “antífonas”. mas dentro das comunidades de brancos elas vieram a ser chamadas de “cantos espirituais”, e nelas a América descobriu sua expressão musical mais verdadeira, mais original e de maior influência.

Nas propriedades rurais dos estados do sul, com suas enormes plantações, esperava-se que os escravos recém-chegados aprendessem inglês e adotassem a religião professada por seus donos. Mas os costumes emocionais e místicos da adoração tribal dos pagãos jamais poderiam ser substituídas pelas tradições inteiramente secas da fé europeia. E nem tão pouco podiam confinar os ritmos, os cantos e as pitadas tribais da cultura africana no canto estruturado de salmos e hinos. “O Espírito não descerá sem uma canção”, dizia um ditado que os escravos traziam consigo de sua terra natal, e foi de fato na música que o negro maltratado encontrou um meio de libertação.

As pessoas escravizadas encontraram muito dentro da tradição judaico-cristã para se identificar e ancorar sua esperança: os quatro séculos de escravidão dos hebreus no Egito; o cativeiro dos israelitas na Babilônia; Daniel na cova dos leões; e a jornada de Elias para o Céu em uma carruagem de fogo. Eles aprenderam os hinos de seus senhores brancos e depois os mesclaram de novo com os remanescentes de sua história africana para assim produzir expressões de liberdade através de cantos que se tornaram o foco de sua vida espiritual e social.

A maioria dos escravos trabalhava sob o chicote do capataz, cultivando o algodão e o arroz que formavam a parte mais forte da indústria do sul. Frequentemente eles eram proibidos de falar uns com os outros enquanto trabalhavam nos campos, mas como o trabalho de campo deles exigia um esforço unificado, eles podiam usar a tradição africana de canções de trabalho para coordenar suas atividades.

Essas canções criativas que alternavam entre líder e coro eram cantadas com tal maestria musical que era impossível a notação em papel. Muitas vezes a música era criada combinando versos da Bíblia com partes de hinos, sermões ou orações que eles ouviram na igreja. Mas nos campos havia também toda a oportunidade de inventar novas canções e melodias, inspiradas na sua fé recém-descoberta em um Deus Cristão que não somente poderia quebrar seus cadeias de pecado e sofrimento, mas também oferecer o Céu como pátria.

E o melhor de tudo era que Ele não estava confinado a uma igreja de gente de cor branca, e Ele não desqualificava a humanidade do homem negro. Eles ouviram uma promessa de liberdade e fizeram dela o tema de suas canções.

Deus disse a Moisés,
Ó Deus!
Vá ao Egito,
Ó Deus!
Diga ao Faraó,
Ó Deus!
Solta o meu povo,
Ó Deus!


Você sabia?

Embora ele seja muitas vezes ofuscado por seu famoso irmão mais velho, Carlos Wesley é talvez o maior escritor de hinos de todas as eras’.

Já foi dito que os primeiros metodistas eram ensinados e guiados tanto pelos hinos de Carlos quanto pelas mensagens de João.

Carlos Wesley escreveu 8.989 hinos, ou seja uma média de 10 linhas por dia durante 50 anos


Em 1735, um pastor inglês de nome João Wesley partiu para o Novo Mundo para converter os índios pagãos na colônia da Geórgia. Após três anos, ele reconheceu seu fracasso como missionário e retornou a Londres, determinado a encontrar o elemento que faltava em sua caminhada espiritual. Então, um dia, enquanto ouvia uma leitura do prefácio de Martinho Lutero à Epistola de Paulo aos Romanos, ele sentiu que seu “coração foi aquecido de forma estranha” e ali mesmo foi quando iniciou uma nova dispensação da igreja.

Em nenhum lugar eles abraçaram os novos princípios de uma fé que estava sendo chamada de “metodismo” mais rapidamente do que nas colônias do Novo Mundo. O ensinamento de Wesley de uma Segunda Bênção (também chamado de Perfeição Cristã ou Santificação) era “o estopim que desencadeou um barril de êxtase religioso reprimido em toda a América.” [Davin Ceay e Mary Neely, Escada para o Céu, as raízes espirituais do rock and roll, Ballantine / Epiphany Books, 1986, pág. 9. – NT] Avivando os fogos do avivamento que veio a ser conhecido como O Grande Despertar, se encontrava o evangelista metodista George Whitefield e outros pregadores itinerantes que viajavam incessantemente por todas as colônias, expondo a doutrina da santidade completa e perfeição alcançável.

O estilo de pregação deles era vigoroso e dramático, o que lhes limitava o acesso aos púlpitos das igrejas mais tradicionais, então eles recorreram à pregação ao ar livre. Os cultos de campo (ou cultos dos montes, como as vezes eram chamados) mudaram a estrutura dos cultos de adoração para a maioria das igrejas rurais da jovem nação. A pregação de ‘fogo e de condenação’ deu lugar a uma nova liberdade de expressão para os crentes. Eles gritavam, eles oravam, eles dançavam e cantavam como nunca antes.

Uma vez mais, o avivamento religioso foi acompanhado por um novo mover das águas musicais. Como Lutero, Wesley era um compositor e editor. Seu primeiro hinário, A Coleção Charleston de Salmos e Hinos, publicado em 1735, foi o primeiro hinário publicado na América do Norte. O interesse principal de Wesley era que o canto fosse espiritual e tivesse boa qualidade musical. Suas instruções para a congregação incluíam admoestações: “Todos Cantem, Cantem com Todas as Forças, Cantem com Modéstia, Cantem a Tempo e acima de tudo, Cantem Espiritualmente” [Stanley Burgess e Gary McGee, editores do Dicionário de Movimentos Pentecostais e Carismáticos, Casa de Publicações Zondervan, 1988, pág. 691. – NT] E foi no estilo sem organização formal dos cultos de campo aonde o cântico espiritual amadureceu.

Muito antes de os próprios negros serem admitidos na sociedade dos brancos, eles compartilhavam uma coexistência animada, embora nem sempre confortável, que veio a formar-se pelas forças coesas da religião e da música compartilhadas. Juntamente com o crescente número de hinos tradicionais que estavam sendo escritos por proficientes compositores como Carlos Wesley e Isaac Watts, os cantos espirituais dos negros, o “negro espiritual” [gênero musical cuja aparição se deu nos Estados Unidos da América, inicialmente interpretada por escravos negros que faziam uso de movimentos rítmicos do corpo e batiam palmas como acompanhamento da música – NT] estava se tornando uma parte importante dos grandes avivamentos e cultos de campo durante o século dezoito. Aqui, o espírito e a personalidade do mundo negro não foram segregados da cultura branca. Embora os fiéis brancos e negros fossem normalmente mantidos separados, “suas vozes e músicas podiam se misturar, ecoando de um acampamento a outro, alimentando uma união musical cujo produto varreria o mundo inteiro”. [Yehudi Menuhin, A Música do Homem, pág. 205 – NT] Um observador em um culto de campo primitivo escreveu: “À medida que a excitação aumenta, toda a ordem é esquecida, toda a coincidência de sons é repudiada, cada um canta sua própria melodia, cada qual dança sua própria dança, enquanto pula, grita e se expressa com grande e extraordinária alegria.”

Eles haviam encontrado algo real, e era uma revelação inspirada por um novo entendimento da verdade Escritural. E isso, por sua vez, gerou uma nova irmandade de santidade e igrejas santificadas precursores do avivamento pentecostal do século vinte que explodiria na rua Azusa, Califórnia em 1906.

Mas lamentavelmente nem todo negro humilhado encontrou solaz e consolo no cristianismo. Pois havia demasiada magia nos “antigos hábitos” que não eram compatíveis com esta fé recém-descoberta, então a antiga fé perdurou, oculta até o final do século dezenove e o período da Reconstrução que veio depois da Guerra Civil. Em seguida, um novo ramo apareceu na árvore genealógica da música e foi chamado de “The Blues” [blues: música melancólica e triste – NT].

Embora descendesse diretamente do fervor emocional dos cantos espirituais, a única coisa que o blues tinha em comum com seu antecedente, que agradava ao espírito eram suas antigas raízes. Todo tipo de devassidão carnal se tornou tema do cantor de blues: crime, adultério, prostituição, jogo, álcool e prisão. Os laços com os elementos africanos da sincopação e do momento rítmico foram renovados, ensinados e interpretados tanto por homens negros como por homens brancos que haviam escutado e aprendido com essa nova voz musical. “É aqui é onde essa mistura de culturas novamente começou a gerar algo permanente e profético, uma vitalidade rítmica e um dom melódico que acabaria por produzir ‘ragtime” [ritmo musical com toques irregulares – NT] e jazz.” [Yehudi Menuhin, A Música do Homem, pág. 207. – NT]

Coincidindo com os primórdios do blues, do ‘ragtime’ e do jazz, a música religiosa também estava passando por uma metamorfose. Em 1875, o compositor Ira Sankey publicou um hinário intitulado Hinos Evangélicos e Canções Sacras e nasceu ali o termo “música evangélica”. Sankey e seu companheiro, o evangelista Dwight Lyman Moody, pretendiam que suas canções “implantassem o Evangelho no coração das pessoas” [Paul Oliver, O Novo Plantio, Norton, Nova York, 1986. pág. 189. – NT], por meio de suprimir as explosões emocionais e cantos apaixonados.

Mas, enquanto Sankey e Moody foram capazes de influenciar o seu desenvolvimento inicial, as canções ‘evangélicas’ logo desenvolveram um caráter próprio, e desta vez foi “um empreendimento comercial suavemente calculado, e projetado para poder aproveitar-se do enorme apelo dos estilos da música ‘negra espiritual’”. [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 23.]

Em 1921, um jovem pianista de blues e de jazz chamado Thomas Dorsey participou da Convenção Batista Nacional e ficou impressionado com a força da música que ouviu sendo tocada. Para este jovem, conhecido como “Barrelhouse Tom”, era a escritura na parede. Ele escrevia música religiosa e chamava suas canções de “evangélica”.

Dorsey escreveu mais de mil melodias, incluindo “Paz no Vale”, “Sonda-me, Senhor” e “Precioso Senhor, Toma Minha Mão”. “Era música que não apenas refletia a pregação e o testemunho ouvido nas igrejas batistas e metodistas de pessoas negras, mas refletia também o número crescente de congregações “santificadas” em todo o país. Ele também fez uso brilhante e liberal das melodias, das harmonias e ritmos da educação de Dorsey no que se refere ao blues e ao jazz”. [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 24. – NT]

Viajando pelos estados do Centro-Oeste e do Sul dos Estados Unidos no final dos anos 1920, ele interpretou sua música e vendeu as partituras por alguns centavos cada. Mas a voz de Dorsey não tinha a convicção e nem o entusiasmo necessários para a música evangélica, e ele sabia que, para alcançar êxito, precisava de alguma nova técnica. Ele formou o primeiro quarteto evangélico de mulheres da história e logo se tornou um promotor de grupos evangélicos, bem como um editor de música evangélica negra. Ele naquele momento estava a caminho de ganhar para si o título de “Pai da Música Evangélica”.

Em meados dos anos trinta, vários estilos de música evangélica estavam sendo popularizados no circuito de concertos de igrejas e avivamentos. Um dos mais duradouros foi o quarteto evangélico, quatro ou cinco cantores que estabeleceram sua identidade através do seu estilo vocal (como por exemplo um cantor com voz muito baixa ou um com voz falsete) ou através do seu modo de vestir (uniformes, ou trajes de muito luxo, etc.). Havia também o “coro evangélico” formado todo só de mulheres que batiam as mãos, vestidas com roupas de coro e apoiadas por um piano ou órgão com muito volume. E logo as artistas evangélicas profissionais, como Mahalia Jackson e Rosetta Tharpe, começaram a fazer seu nome.

No início da Segunda Guerra Mundial, essa nova e cuidadosa roupagem dos cantos espirituais dos escravos estava terminada. Essa nova imagem de ‘música evangélica’ foi adotada livremente com o brilho de Hollywood e transformada em um poderoso e endinheirado império musical.


A Música de Laodiceia

… Aquela primeira musiquinha suja que tocou no radio sem ser censurada, que dizia: ‘requebrem mocinhas’, requebrem e mostrem seus belos joelhos, esse foi o primeiro deslize bem ali.” [Por que Não Somos Uma Denominação? (58-0927).]

O ano era 1925. William Jennings Bryant e Clarence Darrow lutaram em um tribunal do Tennessee sobre a questão da evolução; na Alemanha, um ex-prisioneiro chamado Adolf Hitler publicou suas memórias, intituladas “Mein Kampf”; uma nova mania de dança chamada Charleston mantinha os braços e as pernas girando em 4 x 4; e em toda a América, o rádio tornou-se uma importante fonte de entretenimento familiar, inaugurando o que veio a ser conhecido como a Era de Ouro do Rádio.

Sem dúvida, o avanço mais revolucionário do início dos anos 1900 foi a gravação do som. O homem finalmente descobriu uma imortalidade terrena, embora um tanto frágil, e a força de sua influência transformou nosso mundo e dominou nossas vidas. Por um lado, foi bom: não precisamos mais depender da memória ou evocar a imaginação para lembrar a voz de um ente querido, a performance do músico ou as entonações do orador. Mas por outro lado, foi ruim: abriu portas para os santuários escuros e, com nossas mentes, passamos por aquelas portas e lugares que nunca teríamos permitido que nossos pés nos levassem.

A música agora ocupava o centro do palco do mundo, uma façanha nunca imaginada antes da chegada do fonógrafo e do rádio. E suas habilidades únicas de atrair, divertir, ensinar, persuadir e influenciar seus ouvintes não eram esquecidas pelos vendedores de indecência da época.


Você sabia?

Os salmos e os primeiros hinos eram frequentemente “alinhados” para o canto congregacional. O dirigente, ou líder do canto, lia ou cantava uma linha da canção, que passaria então a ser cantada pela congregação. Isaac Watts estimulou as congregações a cantar como fazem hoje, uma linha imediatamente após a outra. Ele escreveu clássicos como “Quando Observo a Maravilhosa Cruz”, “Alegria para o Mundo”, “Jesus Reinará” e mais 694.


Requebrem, Garotas
Por Marr, Heath, e Fletcher
Copyright 1925, Joe Mords Music Company

Escutem garotas, escutem garotas
Eu tenho uma palavra para vocês
Só porque vocês são modernas
E fazem as coisas que vocês fazem
Não deixem lhes dizerem que vocês não se portam bem,
Vocês são tão amáveis quanto a vovó
Então tomem meu conselho:
Requebrem mocinhas, requebrem
Vão em frente e requebrem
Requebrem e mostrem seus belos joelhos,
Requebrem garotas, todas requebrando
Subam ou desçam, como você bem desejar.
Não permita te dizerem que é algo escandaloso
Pinte a imagem do seu querido na sua meia,
Ria da mamãe, ria do papai
Dê-lhes um ha! ha!
Requebrem garotas, requebrem.

Egoísta, provocante e desafiadora, “Requebrem, Garotas” abriu fogo contra a religião de uma forma nova e provocadora. Sem censura transmitiu sua sutil mensagem de imoralidade às ondas de rádio e ao subconsciente de um público incauto. Um caminho fora aberto através do campo da radiodifusão para um exército de duendes musicais maléficos que avançava rapidamente no horizonte.

A música evangélica continuou contribuindo com sua parte para a confusão musical. Em 1929, os “Irmãos Graves” gravaram o que chamaram de “rockin and reelin’ espirituais” [cantos espirituais balançando e cambaleando – NT] com a Paramount Records, baseado livremente no tipo de cântico congregacional que estava sendo ouvido nas igrejas da santidade e pentecostais em todo o sul. Em 1934, uma gravação ao vivo foi feita em uma igreja do interior que proclamava:

“Oh meu Deus! Oh meu Deus!
Bem, bem, bem! Eu tenho que balançar! Você tem que balançar! ” [ Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 10.]

No início dos anos 40, estimava-se que a metade de todos os cristãos pentecostais vivia abaixo da linha Mason-Dixon [Sul dos Estados Unidos – NT], e a maior parte dessa metade era de agricultores e arrendatários de terra pobres. No norte, suas igrejas irmãs prosperaram principalmente em bairros de classe pobre e, em 1945, 80% das 500 igrejas de negros de Chicago eram da pentecostais. Pianos e órgãos estavam além do alcance financeiro da maioria dessas congregações de “santos roladores”, mas com violão, bateria e trombetas, eles puderam suprir o ritmo para os pés dançantes e corpos balançantes que agora eram parte integral do culto da igreja pentecostal.

Enquanto lutavam pela posição na escada da fama, era inevitável que aqueles músicos que haviam sido criados na igreja começassem a combinar aquele fervor evangélico familiar com as letras mundanas e as características vocais da música pop (popular) e country (caipira) do dia. Mas, para a população geral dos anos 1940, a música ainda era um tanto segregada entre negros e brancos, como todos os outros aspectos da vida social. Esta nova variedade musical era simplesmente “agradável” demais para o mercado de música tradicional. Pais indignados protestaram quando os locutores de rádio tentaram introduzir os jovens brancos no “ritmo da selva” da música “racial”.

Em 1947, um novo termo foi criado: “Adolescente” [dos treze aos dezenove anos – NT]. E o que os adolescentes queriam ouvir era algo que os impulsionassem, que os balançassem. Eles queriam bater palmas, cantar e dançar. Eles queriam “Shake, Rattle and Roll” [balançar, sacudir e bailar].

A combinação de juventude, a rebelião e a sexualidade (embora tão antiga quanto o tempo) era algo explosivo. Não demorou muito para que as produtores de discos percebessem que, se pudessem encontrar um homem branco que pudesse cantar com o estilo, a energia e a paixão de um cantor negro, então poderiam satisfazer as concupiscências dos adolescentes, acalmar as preocupações dos pais e assumir o controle absoluto da indústria da música de uma só vez.

Ao mesmo tempo, era inequivocamente claro que a música americana estava mais uma vez experimentando dores de parto. O blues, o jazz, o ragtime, o boogie-woogie, o pop, o country – toda a energia motriz e carnalidade que uma geração ansiosa por esquecer a guerra poderia reunir – estava pronta a dar à luz. E as evidências sugeriam que o que estava por nascer seria o mais barulhento que a música já produzira – uma “cria” americana, hostil, barulhenta e rebelde, para atrair a atenção do mundo inteiro. Seu nome era Rock and Roll.

Em 1954, um jovem motorista de caminhão chamado Elvis Presley gravou uma velha música de blues intitulado “Está tudo bem, Mama” no estúdio de Sam Phillip em Memphis, Tennessee, e em 19560 fenômeno apelidado de Presley mania tinha deixado toda a indústria da música em êxtases. Eles souberam que haviam encontrado seu homem que buscavam.

“O pentecostalismo foi envolvido na substância da música de Elvis tal como ovos se envolvem em massa de panqueca…” [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 57. – NT] mas no processo, a casca de ovo que havia servido para separar inspiração de exploração, e saudável da não saudável, foi quebrada. A própria definição de música estava se obscurecendo e, de bom grado, os Estados Unidos ouviam, enquanto todo o inferno se tornava cada vez mais real.


Você sabia?

Porque o homem é um ser rítmico, existe uma relação direta entre a música e o movimento muscular [Larson, O Dia em que a Música Morreu. Você pode definir o que é um determinado estilo de música, observando os movimentos que se fazem automaticamente com esse estilo de música. Você só tem que tocar a música para uma criança de três anos e observar seus movimentos para saber se uma música está errada. Você não precisa treinar uma criança para conhecer esses movimentos. Eles são automáticos. [Garlock, O Grande Compasso]


O Pentecostes de Satanás

“Assistindo a programas sem censura; escutando piadas sujas de Hollywood; ouvindo a velha música boogie-woogie do diabo que foi criada por homens de má reputação e consciência vil – os instrumentos do diabo, para inspirar as obras do diabo?” [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 57 – NT]

O caso de amor dos adolescentes americanos com Elvis Presley era incontrolável e impossível de parar. A maioria dos pais estremeciam angustiadamente com este rebelde de movimentos tão indecentes, e que tão audaciosamente perguntava às suas filhas cheias de admiração: “Você Está Sozinha Hoje à Noite?” Mas quando este jovem de aparência angelical, virou-se para os adultos e cantou os favoritos da música evangélica como “Sua Mão na Minha” e “Paz No Vale” (seleções de um álbum que ainda detém o recorde de mais semanas no primeiro lugar do Reino Unido) [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 53 – NT], a percepção do “corruptor de jovens” começou a mudar.

Sem dúvida, foram os adornos do Cristianismo que serviram para legitimar Elvis para o povo americano. O renegado que se tornou o respeitável rei do “rock and roll” foi capaz de alcançar o auge da aceitação social: uma reunião em particular com o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, em Dezembro de 1970.

“O que aconteceu? O que aconteceu foi que acabamos nos acostumando com Elvis. Os jovens dos anos cinquenta cresceram com ele, e os mais velhos, depois de viver com ele por um tempo, concluíram que ele não era tão ruim assim. Muito rico e muito famoso, Elvis tornou-se um herói folclórico.” [Stephen Lawhead, “o Rock desta Era”, Impressões Intervarsity, 1987, pág. 39 – NT]


Você sabia?

O ocultismo é desenfreado nos Estados Unidos. Estima-se que pelo menos 5.000 bruxas estejam atuando em Nova York e 10.000 em Los Angeles. O número de bruxas nos EUA é quase a metade do número de médicos e clérigos. [Peters, Porque Ferir a Rocha]


O tipo de sucesso que Elvis desfrutava tendia a fazer com que uma pessoa parecesse digna de tal grandeza, mas Elvis não havia mudado. Não importava o quanto o espírito se encobrisse no evangelho, a carne permanecia totalmente “rock and roll”. É geralmente reconhecido que o “rock and roll” é um eufemismo negro de longa data para o sexo e, com Elvis, “era a performance sexual – agressiva e provocadora – combinada com a música que conduzia os fãs à histeria”. [Menuhin, A música do Homem, pág. 282 – NT]

O religioso Elvis costumava dizer. «Deus me deu a voz. se eu me voltasse contra Deus, estaria arruinado.

E, no entanto, como Gary Herman aponta no “rock and roll Babylon”, ele também reconheceu a parte do diabo em seu sucesso, ao dizer: ‘minha voz é comum; se ao cantar eu não me movo, sou um homem morto.” [Dante Peter Peters, Por que o Barulho do Rock? Bethany House Publishers, 1984, – NT]

Outros artistas do rock seguiram o exemplo. Pat Boone, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e muitos mais (muitos deles criados em igrejas pentecostais) propagaram a vulgaridade que Elvis pregava, com a decepção de Judas, nascida do engano religioso. E o que isto produziu foi uma década de esquizofrênicos espirituais, repetidamente oscilando entre o púlpito e o palco.

Durante quase uma década, o rock e Jesus estavam sendo pesados na balança da ganância financeira e, em 1964, os resultados foram divulgados. Jesus perdeu.

Em abril de 1964, um guerra relâmpago musical de dois gumes invadiu nossas costas vinda da Grã-Bretanha. O “rock and roll” americano foi mastigado, engolido e vomitado de volta para nós sob um novo nome: Rock. Era semelhante ao “rock and roll”, mas esse novo som não tinha ligação com qualquer coisa que se assemelhasse à tradição religiosa ocidental. Pelo contrário, ele veio mergulhado em drogas e misticismo oriental, e a enganosa sedução do “rock and roll” teve que dar lugar à rendição total e incondicional que o rock exigia.

A primeira onda, e talvez a mais influente desses invasores, foram os quatro cabeludos irreverentes, com sotaque britânico, que se Chamavam Os Beatles. E junto com seu novo som desrespeitoso, eles trouxeram uma nova moda. A perversão saiu do armário e tornou-se a última moda quando milhões correram para adotar a aparência de cabelos compridos desses messias musicais, uma aparência que expressava adequadamente a resposta cínica deles a toda autoridade e tradição. Aparentemente, da noite para o dia, um tipo de niilismo zombeteiro tornou-se o substituto de moda da religião entre os filhos mimados e confusos que os anos 60 produziram.

A música dos Beatles oferecia alegremente sacudidelas de cabeça e humor contagiante, em vez de sexo como isca. Na superfície, pelo menos, parecia ser inteligente e até cómico. Poucos adultos estavam cientes do conteúdo da música, e a maioria dos adolescentes percebia a mensagem dos Beatles apenas em níveis subliminares. [Dan e Peter Peters, Por que o Barulho do Rock? Bethany House Publishers, 1984, pág. 24. – NT] Em retrospectiva, os especialistas em mídia concordam que a principal contribuição que os Beatles deram à sociedade ocidental não foi tanto a música em si, mas a música com uma mensagem que carregava. E qual foi a mensagem? Drogas alucinógenas.

Os Beatles certamente não inventaram a maconha. Seu uso remontava aos rituais xamanísticos dos índios americanos e dos dervixes rodopiantes da Pérsia do século IX. O que eles fizeram foi legitimar culturalmente seu uso para a população geral do mundo. A maconha expandiu os limites da imaginação e da percepção sensorial, desafiando o usuário a recriar os sons e visões que “giravam, borbulhavam e cascateavam pelos lóbulos frontais de seu cérebro” [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 134. – NT] O LSD foi ainda mais longe: eliminou todas as barreiras entre o real e o imaginário, era “o marco zero da revelação quimicamente induzida.” [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 134. – NT] A espiritualidade era uma viagem e o LSD era o sacramento da nova fé.

“O cristianismo desaparecerá; se reduzirá e desvanecerá. Não preciso discutir sobre isso, estou certo e será provado que tenho razão. Nós [os Beatles] somos mais famosos que Jesus Cristo agora. Eu não sei qual vai desaparecer primeiro, o rock ou o cristianismo”. John Lennon, vocalista dos Beatles; 4 de março de 1966. [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 129. – NT]

A segunda onda da invasão britânica caiu em terra em 1966, e quando a maré recuo, foram-se os dias de música de insinuação sexual velada e as alegorias da época. A geração do rock havia chegado, e era “hora de dizer como ela é – colocar tudo pra fora”. Mick Jagger dos Rolling Stones fez exatamente isso, e no processo ele estabeleceu um modelo para os astros do rock que duraria por muitos anos.

Uma apresentação dos Rolling Stones sempre foi uma mistura macabra de libertinagem e devassidão sexual, violência sádica, satanismo e drogas. O mais revelador é o fato de que a violência que se tornou parte intrínseca de cada concerto não é por acaso, mas um resultado natural da música e do modo como ela é tocada.

Em seu livro The Music Man (O Homem da Música), Yehudi Menuhin, célebre músico e historiador, descreve um concerto dos Stones da seguinte forma: “Eu ouvi o que me pareceu uma premonição do inferno. Pude distinguir muito pouco de notas musicais, qualidade de som, design musical. Sob tais circunstâncias avassaladoras, eu entendi como deliberadamente toda essa loucura é projetada. O objetivo é entorpecer todos os sentidos conscientes, não deixando escolha senão de se render e participar… Os Rolling Stones estão tentando desesperadamente gerar e liberar emoção, mas como eles sabem pouco daquelas disciplinas e estruturas através das quais as emoções são transformadas em arte, eles podem gerar só histeria. A música deles é mais como a eliminação da estrutura, dissolvendo tudo de volta à argila bruta”. [Menuhin, A música do Homem, pág. 287 – NT]

Ansiosos para dar honra aonde se merecia honra, em dezembro de 1968, os Stones lançaram um disco intitulado “Simpatia pelo Diabo” – uma descida ao mundo febril dos demônios do vodu, imagens alucinógenas e ritmos agitados. Não era música. Era uma cacofonia – uma loucura de gritaria, empenhada em incitar a morte e a destruição. Durante uma apresentação memorável, quando o vocalista Mick Jagger apareceu no palco dançando e atuando exatamente como “Lúcifer na carne”, de repente a multidão enlouquecida pelas drogas explodiu em uma onda de homicídio. Em poucos minutos, cinco pessoas estavam mortas, incluindo um homem que havia sido esfaqueado e espancado com correntes enquanto Jagger observava do palco, a poucos metros de distância. Era como se ” … os Rolling Stones tivessem tomado uma overdose de seu próprio remédio”. [Seay e Neely, Escada para o Céu, pág. 184. – NT]

Satanás mostrou ousadamente a sua face e fez suas exigências e, como os lemingues [pequenos roedores que, segundo conta a estória, ajuntam-se em um grande bando e se atiram desenfreadamente no precipício – NT], os artistas de rock obedeceram. Eles foram vítimas de seus próprios estilos de vida luxuriosos. Impulsionados por um desejo carnal de mais fama, poder e riqueza, eles declararam abertamente sua lealdade ao diabo na música que executavam. E onde eles lideravam, os jovens seguiam. Adolescentes inocentes, curiosos e ingênuos pararam para ouvir, e Lúcifer fez o resto. [A Maior Batalha Já Pelejada (62-0311).]

Em 1971, o musicólogo Frank Garlock, professor da Universidade Bob Jones, escreveu: “Tudo o que precisamos é fazer uma viagem aos lugares onde o “rock and roll” tem suas raízes (África, América do Sul e Índia) e observar as cerimônias que frequentemente acompanham esse tipo de música – rituais de vodu, orgias sexuais, sacrifício humano e adoração ao diabo -, para conhecer a direção em que nós, como nação, nos dirigimos.” [Frank Garlock, O Grande Ritmo, pág. 22. – NT]

Quão certo ele estava! Em meados dos anos 70, as paradas musicais deixaram perfeitamente claro que, na América, o satanismo estava vendendo muito bem.


Você sabia?

Mesmo os surdos-mudos respondem aos sons musicais e podem distingui vários instrumentos musicais pela natureza de suas vibrações.

Sons estridentes em volume suticiente podem soliditicar proteinas em um meio líquido. Quando um ovo é colocado na frente de um alto-falante em alguns dos shows de rock mais barulhentos, ele chega a cozinhar.


Subindo a Caim

[O Título original em inglês é “Rising Cain” que é uma expressão idiomática ambígua que significa “estar causando problemas ou criando um alvoroço”. Mas tem sua origem na história de Caim. “Se você cria problemas, está subindo a algo, isto é, invocando o espírito amaldiçoado de Caim. É semelhante a várias frases que aludem a chamar ou “subir” o Diabo”.

Fonte: www.phrases.org.uk/meanings/raising-cain

Sendo a expressão “Criando um Alvoroço” que mais se assemelharia para ser empregado como título em português. “Mas Subindo a Caim” (Rising Cain) por ser uma expressão de sentido ambíguo observamos ser interessante manter como título para uma reflexão maior sobre si mesma, ainda que não exista em nosso idioma, visto que nesse capítulo é abordado o assunto sobre fazer subir espíritos pelos ritmos da música. [Nota do Revisor]

Significado de Alvoroço:

1 -Excesso de agitação; tumulto, revolta, inquietação.

2 – Manifestação confusa, com gritos e muito barulho; gritaria. – N.T.]

“… eles invocam o espírito pelo ritmo da música” [Retorno e Jubileu (62-1122).]

O mal é contagioso, e a onda de espíritos demoníacos que os Beatles e os Rolling Stones desencadearam nos anos 60 se formou uma inundação incontrolável nos anos 70. Mas aquilo não era nada comparado ao violento turbilhão que assolou nos anos 80 enquanto o rock expandia seu repertório ainda mais para os reinos da escuridão grotesca.

Satanás, quem reconheceu a vulnerabilidade dos sentidos auditivos do ser humano, equipou totalmente seus discípulos de caos e desordem. Empregando o uso da mais recente ciência da era espacial, a amplificação veio a ser a essência do rugido do rock. As guitarras elétricas, teclados e baterias que formavam o arsenal de todos os artistas do rock, deram aos músicos a capacidade de duplicar a nebulosa confusão e visões distorcidas que acompanhavam suas viagens de drogas alucinantes, enquanto ao mesmo tempo sufocavam os sentidos do ouvinte com um ritmo pesado, constante e latejante, que abala a mente e arrebenta os tímpanos.

Satanás já enviou suas tropas para todos os principais campos do entretenimento cultural. [Jeff Godwin, “Os Discípulos do Diabo”, Chick Publicações, 1985, pág. 240 – NT] O fato é que, a menos que você seja surdo e cego, é praticamente garantido que a música rock afetou, de alguma forma, sua visão do mundo. Podemos não estar dispostos a admitir isso, mas cada um de nós é manipulado diariamente pelas técnicas persuasivas dos meios de publicidade – através de rádio, televisão, filmes, outdoors, revistas, jornais, anúncios, etc. E os anunciantes utilizam rotineiramente a popularidade das estrelas do rock e da música do rock na promoção de produtos e serviços.

Milhões de jovens acordam todas as manhãs com o rock. Eles dirigem ouvindo-o, estudam, brincam, comem e dormem com ele. Estudos mostram que entre a 7ª e a 12ª séries, o adolescente médio escutará e assistirá 11.000 horas de rock e vídeos de rock – mais do que o dobro do tempo gasto na aula! [“Sinos do Inferno”, uma produção em video de Reel To Reel Ministries. – NT] E enquanto isso, os músicos de rock de hoje continuam “subindo a Caim” [Jeff Godwin, “Os Discípulos do Diabo”, Chick Publicações, 1985, pág. 240 – NT] em apresentações extravagantes onde frequentemente praticam o ocultismo.

Os viciados em rock são virtualmente controlados pela música, desde a maneira como se vestem até a maneira de ver e entender as questões cotidianas da vida. A revista The National Review declarou: “A livre difusão do rock faz com que ele seja o mais profundo modelador de valores existentes hoje”. [National Review, revista, como citado em “Sinos do Inferno.” – NT] Como? Para o propósito de nosso estudo, precisamos dar uma olhada ainda mais atenta nos vários aspectos do rock atual.

Rock Pesado x Rock Suave – Em primeiro lugar, nem toda música rock é a mesma. É importante ter em mente que, ao longo dos anos, dezenas de assemelhados ao rock foram adicionados a cada ramo da árvore genealógica do rock, em número tal que não se pode nomear. No entanto, existem dois gêneros dominantes sob os quais podemos identificar e categorizar cada novo ramo.


Você sabia?

De acordo com um estudo recente da Universidade de Minnesota, ouvir música é a principal forma que os adolescentes problemáticos dizem que lidam com os problemas.

Uma pesquisa com 2,000 estudantes do 7º ao 12º ano mostrou que 68% deles consideravam os artistas, como músicos de rock, como heróis. [O Arauto Cristão, março de 1987]


Desde que a batalha do rock começou há quase 40 anos, a principal força de assalto de Satanás tem sido um monstro de duas cabeças que opera sob as identidades gêmeas de Rock Pesado e Rock Suave. Se as manifestações mórbidas de comportamento psicótico que compõem uma grande parte da cena do Rock Pesado não são seu estilo, então seja bem-vindo ao mundo do Rock Suave, onde temas de amor universal (luxúria), paz e fraternidade da humanidade colorem as letras, juntamente com referências inteligentes fraseadas para a excitação de fazer uso de drogas.

O Rock Suave (também conhecido como Pop Rock e Rock Contemporâneo) é produto da música dos Beatles, e grande parte da culpa pelo que hoje é conhecido como a Revolução Sexual pode ser debitada diretamente em sua conta. E quanto mais durar o rock, mais os padrões da sociedade se afundarão. Nas três décadas que se passaram desde que os Beatles chegaram à cena com sua mensagem sedutora de drogas e imoralidade, nosso mundo viu um aumento alarmante de crimes sexuais, abortos em grande escala, epidemias de doenças sexualmente transmissíveis incluindo a praga de AIDS), junto com a toxicodependência desenfreada e toda a depravação que a acompanha. Muitos dos artistas mais populares da atualidade, como George Michael, Carly Simon, Prince, Madonna, Dino, Whitney Houston, Michael Jackson e Barry Manilow, são conhecidos como estilos de Rock Suave. O Rock Suave se tornou a música universal dos anos 90 e, gostemos ou não, estamos sendo bombardeados com ela em todos os lados.

O Rock Pesado foi introduzido na árvore genealógica da música pelos reis do rock satânico, até esta data, os Rolling Stones. Exibindo e até ostentando um comportamento que as Escrituras claramente identificam como sendo possessão demoníaca (e ainda hoje são qualificados como tendo muito talento artística), as bandas de rock estão sendo catapultadas da noite para o cobiçado holofote do megaestrelado. Artistas e compositores confessam ter recebido a inspiração para grande parte de sua música em sessões espíritas, dizendo: “O que fazemos é o que somos. Se for demoníaco, é isso que somos.” [“O Grito Primitivo do Rock”, uma produção em vídeo de Gary Greenwald. – NT] As bandas frequentemente escolhem um nome que mostra claramente seu motivo e intenção [siglas em inglês – n.t.]: Styx (na mitologia grega, era um dos rios de Hades); Iron Maiden (um instrumento horrível de tortura medieval); W.A.S.P. sigla de We Are Sexual Perverts — ou seja “Nós Somos Pervertidos Sexuais”); KISS (sigla para Kings In Satan’s Service – ou seja “Reis no Serviço de Satanás”); Twisted Sister (Irmã Torcida); Judas Priest (Sacerdote Judas); The Grateful Dead (Os Mortos Gratos), e o Black Sabbath (Sábado Negro) são apenas alguns dentre as centenas. [Godwin, “Os Discipulos do Diabo”, págs. 146-147. – NT]

Na mensagem de hoje de rock, absolutamente nada é proibido: sexo, drogas, feitiçaria, assassinato, suicídio, espiritismo, adoração a satanás, homossexualidade, sadomasoquismo, sodomia. E um monstro que adotou o apelido de Heavy Metal (Metal Pesado) – uma vez era um sinônimo literário de tortura, mas agora é usado como um termo genérico para uma legião de vampiros rosnando, incluindo as mais recentes blasfêmias de Shock Rock, Satan Rock e Armageddon Rock. A voz do Rock nunca foi tão alta ou tão má, e não é mais para ouvir somente. É para assistir também. Com o advento do vídeo e da MTV, a intensidade do ataque do rock foi multiplicada, e hoje, participar da experiência do rock pesado é como entrar no meio de uma crise epiléptica. Está além do controle humano.

Identificando o Rock – Toda música usa um ritmo. Por exemplo, um ritmo de valsa é no tempo ¾ e se desenvolve assim: UM dois três; UM dois três. Para uma marcha agitada escrita em 2/4, você contaria: UM dois; UM dois. A maneira convencional de contar o tempo 4/4 é a seguinte: UM dois TRÊS quatro; UM dois TRÊS quatro.

Falando em termos técnicos, o ritmo do rock é 4/4. Mas todas as convenções e princípios normais da música saudável foram deixados de lado, e aqui acento rítmico é colocada no tempo fraco: um DOIS três QUATRO; um DOIS três QUATRO. Além disso, geralmente há um “tempo atrasado” acentuado que cai entre os tempos regulares criando assim o que é conhecido como “sincopação”. Em seu livro O Dia em que a Música Morreu, o escritor e anteriormente artista de rock, Bob Larson escreveu: “Ritmos sincopados evocam resposta mais sensual do corpu humano, particularmente quando eles são acentuados eletronicamente”. [Larson, O Dia em que a Música Morreu, pág. 15. – NT]

A música rock é escrita (e interpretada) para ser sentida, como também ouvida, e um instrumento essencial para esse tipo de música é o baixo elétrico. Suas vibrações super amplificadas de baixa frequência dão ao rock uma intensidade visceral que atormenta as percepções sensoriais. O tempo pode ser rápido ou lento, mas se o ritmo é rock, a resposta fundamental será erótica.

Uma segunda chave para identificar a música rock é a repetição – palavras, refrãos, partes instrumentais ou padrões de acordes que são tocados ou cantados repetidamente ao longo da música. Como qualquer educador lhe dirá, a repetição é uma das ferramentas de ensino mais eficazes que podem ser empregadas. E quando você considera as palavras neuróticas, profanas e sugestivas que estão sendo alimentadas nos cérebros de crianças muito pequenas inclusive, não é de admirar que as pessoas estejam ficando loucas. Isso é mais do que suficiente para deixar qualquer ser humano louco”. [Identificados com Cristo (59-1220).]

Uma terceira característica importante do rock pode ser seu volume. Como se os berros estridentes e sobremaneira amplificados das guitarras elétricas, e os vocais selvagens e incoerentes dos artistas já não fossem altos o suficiente, os artistas de rock e os fãs desfrutam de sua música melhor quando ela é tocada em nível superior a 100 decibéis (aproximando-se do limiar da dor intensa, onde o corpo fica completamente desorientado). Um bombardeio tão intenso e constante pode rapidamente fazer com que a mente perca contato com a realidade e até induza vários estágios de transes. O princípio psicológico aplicado aqui é o seguinte: quanto mais alta a música, mais vulnerável fica o ouvinte às letras cantadas.

O último aspecto do rock que vamos rever é o fato de que ele pode ter todas as características que já mencionamos (batida pesada, repetição, amplificação extrema), ou pode não ter nenhuma delas! Isso/ porque o rock há muito deixou de ser uma coisa qualquer e se denominou em uma multidão de seitas e cismas, cada uma refletindo sua própria versão do princípio estético que deu início a sua criação. E cada nova revelação que os profetas do rock podem produzir ecoará um ressonante “Amém” no ouvido de um verdadeiro crente do rock em algum lugar. Não importando qual princípio musical seja aplicado para que isso aconteça, o espírito encontrará uma testemunha.


Você sabia?

Nossos ouvidos podem detectar sons que vibram a menos de 20 batidas por segundo, continuando acima de 20.000 por segundo, aproximadamente, da nota mais baixa em um órgão de tubos até a nota mais alta produzida por um violino.

Os nervos do ouvido (nervos auditivos) são mais amplamente distribuídos e têm conexões mais extensas do que os de qualquer outro sentido humano. Consequentemente, o que ouvimos afeta todo o nosso corpo.


Quem Escreve As Músicas? Como acabamos de aprender, é o compasso musical do rock que dispara o gatilho emocional de seus ouvintes, mas, sem dúvida, é necessária a letra para produzir a arma. A batalha pelas almas dos homens está sendo travada na mente, então vamos dar uma olhada de perto em algumas das ideias que estão alimentando os jovens diariamente por meio dos discípulos do rock: No início da música, há o som de criancinhas gritando: “Eu não quero ir para esse lugar!” Então o cantor começa a gritar seu sermão mortífero:

DEUS DO TROVÃO
do álbum “Assolador” do Kiss [Godwin, Os Discípulos do Diabo, pág. 116. – NT]

“Eu sou o Senhor do deserto assolado,
Eu reúno a escuridão para o meu prazer
E, ordeno que você se ajoelhe diante de mim,
O Deus do trovão e do rock and roll.
O feitiço que te domina,
Pouco a pouco roubará sua alma virgem…”

Muito direto, você não acha? Os grupos de rock de hoje não medem palavras quando se trata de prestar culto ao diabo e pronunciar suas intenções malignas. Muitas das performances do Rock Pesado são mais encantamentos do que canções. Um álbum de 1982, “O Número da Besta”, do grupo de Heavy Metal, Iron Maiden, contém cantigas sentimentais como “Filhos do Condenado”, “Santificado Seja o Teu Nome” e “Corram Para as Montanhas”. Outros companheiros do rock, como Black Sabbath, entoam músicas tão inspiradas como “Natal na Escuridão”:

Agora eu tenho você aqui comigo,
Sob o meu poder nosso amor fica mais forte a cada hora
Olhe para os meus olhos e você verá quem eu sou
Meu nome é Lúcifer, por favor, pegue minha mão. [Grito Primitivo de Rock. – NT]

Certamente haverá aqueles que, neste exato momento, estão dizendo: “Eu não sou um adorador do diabo. Eu não escuto as palavras; eu apenas gosto da música.” Infelizmente, para tal declaração só pode haver uma resposta: você ainda é culpado por associação. Em uma mensagem intitulada “Por que não somos uma denominação?”, o profeta William Branham descreve com precisão a situação: “Se você vagabundear com alguém que é ladrão, logo você será um ladrão. Minha velha mamãe de Kentucky costumava dizer: “Se você se deitar com um cachorro pulguento, você vai se levantar com pulgas também.” Você é conhecido pela sua companhia.” [Por Que Não Somos Uma Denominação? (58-0927).]

Você está se perguntando se o Rock Suave deveria ser incluído nesse aviso? A resposta é “sim”, porque essa infestação de pulgas em particular é muito mais repugnante e asquerosa (e até mais vil) do que a maioria das pessoas imagina. Vamos dar uma olhada.

“IMAGINE” por John Lennon

Imagine que não haja Céu
É fácil, se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós,
Acima de nós apenas o céu…
Imagine todas as pessoas
Vivendo somente pelo hoje.
Imagine que não há países
Não é difícil imaginar.
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…
Você pode dizer que eu sou um sonhador,
Mas eu não sou o único.
Espero que um dia você se junte a nós,
E o mundo será como um.
Imagine que não haja posses,
Me pergunto se você pode;
Sem necessidade de cobiça ou fome
Uma irmandade do homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo inteiro…

“Imagine” foi escrito há quase 20 anos, mas a filosofia que ele aplaude permanece como um tema central do Rock Suave de hoje. É chamado de Humanismo, e não parece tão mal, não é? Afinal, todos nós gostaríamos de ver o fim das guerras e conflitos, e presenciar um reinado de paz e prosperidade universal. Mas sejamos sinceros, a ideia de paz do homem não é a mesma ideia de Deus no que tange a paz. A hipótese humanística de “unidade através da diversidade” é um exercício de autoengano. O jugo desigual é pecado. E como pode haver paz sem o Príncipe da Paz?

O Humanismo – a crença de que o homem, ao invés de Deus, é a soma e a medida de todas as coisas – é um dos credos fundamentais de uma fé chamada Nova Era. A Nova Era (também chamada de Era de Aquários) não é uma moda passageira, e a única coisa “nova” dela é o vocabulário. O movimento em si é mais antigo que o hinduísmo e o budismo; é mais antigo que os escritos da antiga Grécia e do Egito; é tão antiga quanto a serpente no Jardim do Éden, que enganou Eva com as palavras, …e sereis como Deus”

De alguma forma, a Nova Era tocou você também. Você ouviu seus filósofos, viu sua arte, leu sua literatura, provavelmente sem saber que tais coisas era da Nova Era. Você pode até mesmo ter participado de suas terapias e compartilhado de seus rituais. Mas seguramente você ouviu sua música.

Desde que John Lennon (o Beatle que uma vez desfrutou do título de sacerdote e rei da Era de Aquário) [Seay e Nealy, Escada para o Céu, pág. 154. – NT] escreveu a canção “Imagine”, a música da Nova Era se ampliou para incluir tudo, desde o reggae até o rock contemporâneo, e é a mais tocada nas emissoras de rádio tidas por “suaves de ouvir.” No entanto, as gravadoras não levam em consideração as letras quando classificam um tipo de música, de modo que os únicos estilos que você encontrará rotulados como Nova Era nas lojas de discos são as músicas populares destinadas à ‘meditação’ e música ‘ambiente’. Frequentemente apresentados em sitars [instrumento indiano] ou outros instrumentos orientais, os críticos o chamam de “valium de áudio” dos anos 90 [valium é referência à medicação de efeito calmante – NT], em grande parte porque alega transportar almas para uma espécie de coesão cósmica. [Russel Chandler, Entendendo a Nova Era, Word Publishing, 1991, pág. 139  – NT]

No topo da lista de artistas populares que defendem esse humanismo urico estao aqueles que se unıram para pregar o evangelho do rock-a-serviço-da-humanidade. Por meio de shows extravagantes de arrecadação de fundos como “Nós Somos o Mundo” e “Assistência Viva”, o dogma da Nova Era de “Todos são Um e Um são Todos” está sendo legitimado e assimilado cada vez mais na cultura geral. Para os cristãos, este pode ser o híbrido mais enganoso e perigoso que o rock já produziu. A música é cativante; as letras são intrigantes, mas adivinha quem escreve as músicas?

“EU ESCREVO AS MUSICAS”
Escrito por Bruce Johnson e interpretado por Barry Manilow

Eu estou vivo para sempre
Eu escrevi a primeira música
Eu ajunto as palavras e as melodias,
Eu sou a música e eu escrevo as músicas.
Eu escrevo as músicas que fazem o mundo inteiro cantar
Eu escrevo as canções de amor e coisas especiais,
Eu escrevo as músicas que fazem as garotas chorarem,
Eu escrevo as músicas, escrevo as músicas.
Minha força está dentro de você
E eu tenho meu próprio lugar em sua alma
Agora, quando eu olho através de seus olhos,
Sou jovem novamente, mesmo sendo muito velho
Oh minha música te faz dançar
E faz seu espírito se arriscar
Um pouco de rock and roll para que você possa se mexer,
A música enche seu coração
Pois, ali é um excelente lugar para começar
E de minha parte, é para você, e da sua parte é para mim
É uma sinfonia mundial,
Eu sou a música e eu escrevo as músicas.

Os Primos Do Rock – Apenas no caso de você estar pensando: “Graças a Deus que eu sou um jovem (ou uma jovem) do campo que gosta de música country [equivalente a música caipira raiz brasileira]”, há algo que você precisa saber. A terra da música country não é mais um lugar onde o veado e o antílope brincam e onde sempre há um céu claro o dia todo. Muitas das letras mais obscenas e abundante sobre sexo ouvidas hoje estão sendo cantadas na tecla N, que significa Nashville [equivalente a música Sertaneja brasileira atual].

Para aqueles que cresceram com a música country e erroneamente acreditam que a boa e saudável imagem não mudou muito ao longo dos anos, é hora de ouvir com mais atenção. Como Al Menconi escreve em seu livro A Música de Hoje: Uma Janela para a Alma de Seu Filho, “Se você tirar a bebida, as brigas, o adultério e a auto piedade da música country, não sobraria nada para cantar, exceto sua mamãe e minha caminhonete! [Al Menconi, A Música de Hoje, Uma Janela para a Alma de Seu Filho. – NT]

É claro que há uma estratégia comumente praticada por artistas do som de Nashvilles [Nashville é a capital e também a segunda cidade mais populosa do estado norte-americano do Tennessee. Apelidada de Music City, U.S.A. (Cidade da Música), é um centro importante da indústria discográfica. Hoje Nashville é famoso pela sua rica história da música country (country music). Muitos músicos e compositores vêm a Nashville para se cercar da cultura musical. – NT] que muitos cristãos convictos consideram muito nobre, e esse e o entoar de um hino [sacro] bem conhecido como o número final em um programa de música country [também tem ocorrido essa prática em muitos shows de música sertaneja e de outro estilos aqui no Brasil]. Essa forma particular de hipocrisia nasceu no palco do Grand Ole Opry e, por mais de 60 anos, músicos country desde Roy Acuff a Barbara Mandrell vêm usando canções espirituais como uma forma de enxaguante espiritual para aliviar as papilas gustativas depois que vários pratos de sujeira foram servidos e consumidos. Na realidade, esses placebos pseudo-espirituais nada têm a ver com o cristianismo.

A última oferta a ser colocada no altar do rock é uma forma de cantar conhecida como Rap. Não há melodia (então, tecnicamente, não pode ser considerada como música), mas o compasso monótono que acompanha o verso falado oferece uma lição de ritmo bem direta: Rock.

O rap começou nas ruas entre os adolescentes negros em competições arrogantes intituladas “vamos ver quem é o pior” para ver quem era o mais tagarela de todos. Consequentemente, não deveria ser surpresa ouvir os rappers hoje afirmarem que, para realmente fazerem sucesso no rap, o que se precisa é de uma atitude de orgulho. Mais uma vez, esse sentimento de egoísmo e arrogância não têm nenhuma semelhança com qualquer ética cristã.

Embora muitos dos rappers populares de hoje falem contra as drogas, eles invariavelmente glorificam as gangues, o crime e a violência (incluindo a brutalidade sexual) em suas apresentações e gravações. Resumindo, Rap é Heavy Metal disfarçado.


Aparência de Piedade

“Então Ele disse: ‘Aqui vem a igreja da América agora, para ser apresentada.’ Eu quase desmaiei.” [Escolhendo Uma Noiva (65-0429).]

A religião (e sua infinidade de apetrechos) sempre foi um grande negócio. Isso é legitimo e aceitável, porque é através do “negócio” da religião que igrejas são construídas, Bíblias e outros materiais são impressos, pastores e missionários são apoiados, e uma série de outros esforços dignos são financiados. Mas quando, na prática da religião, se passa por alto a orientação Divina, então a ortodoxia Cristã e a devoção ficam totalmente vulneráveis às manipulações de exploradores corporativos. Por conseguinte, ser espiritual e ser guiado pelo Espírito Santo nem sempre podem ser vistos como sinônimos. “Deus se move pelo Seu Espirito, não pela quantidade de dinheiro ou talento que exista na igreja”. [Uma Exposição das Sete Eras, pág. 342. – NT]

A Música Cristã Contemporânea (MCC) é uma indústria, e, como em toda a indústria, sua motivação está subordinada ao fundamental, ou seja os lucros (dólares). Com milhões de dólares em jogo neste mercado altamente competitivo, a maioria dos artistas e gravadoras não hesitam em se modelar em seus colegas mais populares da música secular, incluindo artistas de rock como os mencionados anteriormente. Como resultado, a mensagem inerente de rebelião do Heavy Metal, e a cortina de fumaça do Rock Suave de amor da Nova Era foram tão sagazmente incorporadas à substância da música cristã que agora representa 90% das fitas e discos que estão sendo oferecidos atualmente nas livrarias cristãs.

A maioria dos defensores do rock que escrevem sobre o tema da música cristã usam a mesma tática que Steve Lawhead faz em seu livro O Rock Desta Era: “O rock se comunica com a geração do rock. Ele tem a capacidade de atingir uma população que cresceu com ele.” [Lawhead, O Rock Desta Era, pág. 109. – NT] Mas a questão então é: “Alcançá-los com o quê?” Uma leitura rápida dos comentários editoriais sobre os artistas e grupos cristãos nas páginas de várias revistas da MCC pode lançar alguma luz sobre o assunto:

MICHAEL SMITH

“Smith, com as baterias em chamas, as guitarras estridentes, e o teclado urrando, levou a audiência jovem a um frenesi do começo ao fim.” “Com luzes brilhantes de vasto alcance iluminando as áreas do palco e do público, Smith subiu ao palco com alguns passos lentos de dança que levaram a multidão a um frenesi de rock.”

AMY GRANT

“Em se tratando de letra, a única diferença entre as canções de amor de Amy Grant e, digamos, as de Olivia Newton-John, é que muitas vezes os pronomes de Grant vêm com letras maiúsculas…

“É importante entender que algumas letras são implicitamente [subentendida] cristãs, enquanto outras são explicitamente cristãs… Você confia que Jesus esteja nelas – mesmo se elas estejam cantando sobre vida e amor, como em “Baby, Baby” [uma música de sucesso de Grant que recentemente encabeçou tanto as paradas musicais cristãs quanto as seculares]”.

STRYPER

“E de rock eles entendem. Seu show de noventa minutos inclui todas as armadilhas mundanas do metal secular: a dança, o estilo sarcástico e o bombardeio incessante que danifica até os ossos, semelhantes a músicos seculares como Motley Crue, Ratt, Iron Maiden ou Judas Priest…”

LOVE LIFE

“O que me deixou muito impressionado nesta banda, foram as composições originais baseadas no blues. A banda mostrou suas habilidades musicais com algumas canções acústicas e até mesmo um cover [regravação] do hit dos Beatles, “A Hard Day’s Night”.

KIM HILL

“E realmente encorajador ver alguém que gosta de cantar em locais não cristãos, evitando os “cristãos” que existe em grande parte da música cristã atual”.

O propósito singular da música sacra é transformar o coração e a mente de uma pessoa em relação a Deus. Não obstante o fato de a MCC ser (ingenuamente, talvez) dedicada a esse fim, o fato é que a sinceridade não é uma prova de Cristianismo. A obra de Deus deve ser feita conforme a maneira de Deus!

Lembre-se, Satanás é um imitador, e seu jogo é personificar todo o mover de Deus. Mas ele é impotente a menos que tenha um instrumento (uma pessoa) através de quem trabalhar, então ele recruta seu exército voluntário de todas as raças, crenças e classes sociais, mesmo das fileiras de cristãos descuidados.

E é por isso que podemos ver nas performances de músicos cristãos contemporâneos hoje ecos do engano semelhante ao de Judas que inaugurou a era do ‘rock and roll’ em primeiro lugar. Mas não importa o quanto eles tentem encaixar isso no molde cristão, isso nunca alimentará a alma de um crente verdadeiramente nascido de novo. Como Jesus testificou em João 3: 6-7: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espirito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.”

Quando não podemos apontar a diferença entre a música sacra e a música mundana, quando as canções entoadas no santuário da igreja podem ser cantadas igualmente ao apaixonado de alguém, então é hora de parar e fazer uma pergunta muito importante: “Quem realmente estamos adorado aqui?”


A Maneira de Deus

“Você percebe que existem apenas dois poderes em todo o universo? Todas as nossas diferenças entre nações e diferenças entre si e todas as pequenas coisas menores estão relacionadas com um ou outro desses poderes. E esses poderes são o poder de Deus e o poder de Satanás; o poder da vida e o poder da morte. O poder de Satanás é apenas uma perversão do poder de Deus. A morte é apenas uma perversão da vida; uma mentira é apenas a verdade mal contada; o adultério é um ato justo mal utilizado. Tudo o que Satanás tem é algo que foi pervertido, mas é um poder” [A Maior Batalha Jamais Pelejada (62-0311).]

A primeira aproximação do homem a Deus através de conduta e ritual específicos foi por meio de ofertas substitutivas de Caim e Abel. Caim procurou violar a lacuna entre os mundos conhecido e desconhecido e suplicar ao reino espiritual através da beleza e dos sentidos físicos. Abel ofereceu um sacrifício de sangue como expiação pelos seus pecados. Deus aceitou um, e rejeitou o outro, pois apenas um foi feito por revelação, e o outro era uma imitação carnal (pervertida).

Como Deus, por definição, é imutável, podemos, com base tanto em Seu caráter quanto em seus atos no passado, ter total confiança no que Ele fará no futuro. Embora o homem continue a fazer oferendas baseadas em princípios estéticos, os preceitos de Deus nunca mudam.

“Anos atrás, costumávamos encontrar as pessoas em profunda sinceridade e adoração. E hoje, tornou-se um grande glamour de Hollywood, apenas algum tipo de música bem ensanhada. As mulheres estão na plataforma com suas roupas apertadas o suficiente a tal ponto que sua pele fica quase exposta, dançando na plataforma. Não há sinceridade, tornando-se apenas uma vergonha ridícula, enquanto professam o cristianismo. Eu me pergunto se nossas ofertas não se tornaram novamente uma espécie de fedor nas narinas de Deus?” [O Mundo Está Caindo aos Pedaços (63-1115).]

Isso significa que, no que se refere a música que escutamos e entoamos, nós como crentes, deveríamos ficar somente com a música dos antigos hinos clássicos, a fim de evitar a mensagem negativa da música não saudável? Absolutamente não. Um só estilo de música nunca agradará a todos, no entanto, existem princípios objetivos baseados na verdade e não no gosto, pelo qual podemos julgar o que ouvimos: ritmo, letras e modo de viver.

– Nas regiões de selva do mundo há uma forma de comunicação chamada de “tambores falantes” e, batendo certos ritmos, as mensagens são enviadas de um lado ao outro entre as aldeias indígenas. A música que Satanás perverteu para sua própria obra desempenha esse mesmo papel em nossa sociedade, enquanto “…eles invocam o espírito pelo ritmo da música” [Retorno e Jubileu (62-1122).] É imprescindível aprender a identificar o ritmo do rock, de modo que antes que você pegue o telefone, você já saiba qual número discará!

– Ouça atentamente o que as letras estão dizendo. Existem doutrinas não Escriturísticas sendo ensinadas? A imoralidade está sendo sutilmente endossada? A mensagem é de santidade, ou o que estão sendo promovidos na verdade é o amor e a paz da Nova Era? “Filho meu, ouvindo a instrução, cessa de te desviares das palavras do conhecimento.” Provérbios 19:27

– Em Mateus 12:34, Jesus disse: “…Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.” A música com uma linguagem abrangente é uma extensão da personalidade e das crenças do compositor e do intérprete. Hoje, devemos escolher cuidadosamente quem ministrará o louvor para nós. Você se lembra das passagens que lemos anteriormente de I Samuel, descrevendo como Davi tocava música e os espíritos malignos que atormentavam Saul o deixavam? Pense nisso. Saul era o rei de Israel e você pode ter certeza de que havia muitos músicos habilidosos em sua corte. Ele precisava de Davi por quê?

Porque “o Senhor era com Davi.” A música de Davi dava testemunho da presença do Senhor em sua vida e isso perturbava tanto os espíritos malignos que eles saíram de Saul!

Se os espíritos malignos podem ser expulsos através da apresentação musical de uma pessoa piedosa, então não é razoável concluir que os espíritos malignos podem ser convidados a estarem presentes através da música de uma pessoa ímpia? Assegura-se de que seu artista favorito não esteja trazendo convidados indesejados para sua casa, seu carro ou sua igreja.

Nunca antes na história da humanidade o mundo inteiro se sintonizou numa única forma de comunicação, como acontece com o rock hoje. E repetidas vezes o rock provou ser o inimigo de Cristo, e um dos instrumentos mais eficazes pelos quais o diabo conquista e assume o controle sobre a vida das pessoas e as arrasta para a maldade espiritual. [Garlock, O Grande Ritmo, pág. 27 – NT]

“E o espírito [do rock and roll”] não está só na América. Ele se estendeu por todo o mundo, para trazê-las [todas as pessoas] para a batalha do Armagedom.” [Envergonhados Dele (65-0711) – NT]

Nesta batalha existem dois lados opostos. Não há terreno neutro. De que lado você está?


É Hora de Mudar Sua Sintonia?

“Deixe-me entrar na casa de uma pessoa e deixe-me ver que tipo de música eles ouvem; deixe-me ver que tipo de livros eles leem, e que tipo de músicas eles cantam, e que tipo de fotos eles têm em suas casas. Eu posso lhe dizer qual e a natureza dessa pessoa.” [Condenação por Representação (60-1113). – NT]

Nós vivemos em um universo vibrante. Cada voz e instrumento produzem individualmente tons que vibram em uma frequência estabelecida. Assim que essas frequências chegam aos nossos ouvidos, elas fazem nossos tímpanos vibrar no mesmo padrão da fonte do som, permitindo-nos identificá-lo. Esse princípio acústico é referido como vibração simpática: a capacidade de um corpo de fazer com que outro corpo vibre em solidariedade a ele. [Garlock, O Grande Ritmo, pág. 9 – NT]

Podemos aplicar o princípio da vibração simpática às nossas naturezas musicais também. Para que a música nos “fale”, ela deve responder com simpatia a algo que está dentro de nosso ser. Deve vibrar na mesma frequência que nossas emoções. Em outras palavras, uma pessoa responde à música na qual está sintonizada e, inversamente, o tipo de música que ela produz revela o que ela é.

Agora, vamos ao nível pessoal. O que sua música diz sobre você? A água ao seu redor parece um pouco mais quente agora do que no começo deste estudo? Se sim, então talvez seja hora de você mudar de sintonia.

Você sabia que a Bíblia faz mais referências a um “novo cântico” do que a um “novo homem”, “novos céus”, “nova terra” ou “nova criatura”? [Rock Cristão 2000, uma produção em vídeo de Sketch Erickson Ministries Inc., 1981. – NT] E isso significa novo em espécie, não apenas em sequência. Um novo cântico só pode ser cantado por aqueles que foram redimidos através do Sangue de Jesus Cristo.

No passado, o diabo pode ter te enganado e levado você a crer que a música não é moral nem imoral. Ele pode até ter enganado você para fazê-lo pensar que a Mensagem de Cristo pode ser pregada de maneira produtiva através do rock. Não ceda aos enganos de Satanas por mais tempo. Que seu testemunho seja como o do salmista Davi:

“E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.” – Salmos 40:3

 


Publicado originalmente em inglês com o título
Music, The Sound And The Unsound
(Música: A Saudável e a Não Saudável)

 

Traduzido e distribuído em português com autorização.

Editor: George Smith
Tradutores: Antônio Lacerda, Caleb Amorim, Jouesley
Revisor: Hércules de Oliveira

 

Believers International Inc.
Editora A Mensagem

Posted in Estudos | Destaques.