Uma Entrevista com o Rev. Branham | Gordon Lindsay entrevista William Branham & entrevista com Ern Baxter


Apresentação

James Gordon Lindsay e William John Ernest (Ern) Baxter foram os dois primeiros administradores das campanhas de reavivamento fé-cura realizadas pelo irmão Branham em 1946 após ter sido comissionado por um Anjo vindo da presença do Senhor que lhe disse que levaria um dom de cura para os povos do mundo.

Lindsay era natural de Zion, Illinois, e seus pais haviam sido discípulos de Alexander Dowie considerado o pai do reavivamento de cura na América. Influenciado por John G. Lake e Charles G. Parham começou a conduzir reuniões de evangelismo nas Assembléias de Deus e em outros grupos pentecostais. Após o fim da II Guerra Mundial tornou-se pastor em Ashland, Oregon até conhecer o ministério do irmão Branham três anos depois vindo a resignar o seu cargo de pastor daquela igreja para se tornar seu administrador em 1947. Criou o jornal A Voz da Cura com o único objetivo de divulgar os testemunhos de curas ocorridos durante as campanhas. Porém em 1948, após o irmão Branham ter sofrido um forte colapso devido aos excessos de campanha vindo a ministrar até altas horas da noite, foi obrigado a se afastar das campanhas por oito meses, o que para Lindsay foi um golpe terrível, pois até então só o que ele havia feito era se dedicar na divulgação das campanhas em seu jornal.

Como outros evangelistas de cura divina começaram a surgir devido a influência de William Branham, tais como Oral Roberts, T. L. Osborn, A. A. Allen e Jack Coe, Lindsay começou a destacá-los a fim de adquirir matéria para o seu jornal e dando prosseguimento ao seu ministério. A partir de 1956, Lindsay passou a promover cruzadas evangelísticas pelo mundo inteiro fundando mais tarde o ministério “Cristo Para as Nações” que existe até hoje. Escreveu mais de 250 livros, entre eles “Um Homem Enviado de Deus”, uma biografia sobre a vida de William Branham. Faleceu em 1º de Abril de 1973.

Ern Baxter nasceu em Saskatchewan, no Canadá, e era de família presbiteriana. Após sua mãe ter sido batizada pelo Espírito Santo em um avivamento promovido por um ministro pentecostal escandinavo, Baxter aos 18 anos de idade influenciado por uma outra convenção acabou também sendo batizado pelo Espírito Santo e ouviu Deus lhe dizer: “Quero que você pregue Minha Palavra”.

Ao conhecer William Branham já como pastor, tornou-se a pedido do próprio profeta seu administrador, organizando campanhas dentro e fora dos Estados Unidos. Trabalhou com William Branham por sete anos retornando depois à sua igreja em Vancouver, no Canadá. Baxter também disse ter se separado do irmão Branham por diferenças doutrinárias.

Mais tarde Baxter veio a se tornar um influente conferencista mundialmente reconhecido, realizando grandes conferências para líderes e pastores na Austrália e Reino Unido. Era um pregador profundo e seu ministério era o de ensino. Acreditando no princípio do discipulado, tomou 12 homens, pastores, dando- lhes suporte e convertendo-lhes em seus auxiliadores nas viagens por ele promovidas. Fundou a Revista Vinho Novo que se tornou um dos principais veículos de divulgação de seu ministério. Faleceu em 1993 aos 79 anos.

A primeira entrevista aqui apresentada foi realizada pelo seu administrador Gordon Lindsay, em meados de Setembro de 1951, pouco antes de William Branham viajar para a grande campanha realizada na África do Sul. Na segunda entrevista é a vez do outro administrador, Ern Baxter ser o entrevistado, dando um belo testemunho das experiências vividas durante os dias em que trabalhou com o servo de Deus.


Uma entrevista com Rev. Branham

(Gravada por transcrição elétrica)

PERGUNTA: Irmão Branham, à luz dos recentes acontecimentos mundiais, o irmão acredita que o julgamento do mundo está próximo?

IRMÃO BRANHAM: Sim, acredito. Acredito que com a paz instável, guerras e rumores de guerras, o tempo do julgamento está muito próximo.


PERGUNTA: O irmão tem algum comentário a fazer sobre a situação na Coreia? [A Guerra da Coréia foi travada entre 25 de Junho de 1950 e 27 de Julho de 1953, opondo a Coréia do Sul e seus aliados, que incluíam os Estados Unidos da América e o Reino Unido, à Coréia do Norte, apoiada pela República Popular da China e pela antiga União Soviética. O resultado foi a manutenção da divisão da península da Coréia em dois países, que perdura até aos dias de hoje. Na época desta entrevista a guerra estava no auge. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. As fotos pertencem a este conflito – NT.] O irmão acha que as condições mundiais estão indo de mal a pior, ou acha que serão resolvidas e teremos uma era de paz?

IRMÃO BRANHAM: Não acredito que teremos mais paz verdadeira até que Jesus venha. Naquele tempo, os reinos do mundo virão a ser de nosso Senhor, e então haverá paz na terra. Até aquele momento não espero por paz, mas que os tempos piorem cada vez mais.


PERGUNTA: É evidente que Deus o tem usado de maneira extraordinária para iniciar esse grande reavivamento mundial de cura e salvação. O irmão acredita que algo maior do que temos visto está a caminho?

IRMÃO BRANHAM: Sim, irmão Lindsay. Creio que coisas maiores estão à nossa frente. Eu realmente creio que, à luz da Palavra de Deus, estamos perto de algo maior do que jamais vimos – uma repetição, eu diria, dos dias apostólicos, como está escrito: “Vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira.” (Isa. 59: 19). Os dias estão ficando mais perversos, mas a Igreja de Deus está se aprontando.

PERGUNTA: O irmão acredita que há necessidade de uma nova organização religiosa?

IRMÃO BRANHAM: Não, irmão Lindsay, temos organizações religiosas de sobra. Algumas delas são boas também. Creio que muitas são baseadas em grande parte na Palavra de Deus. Realmente não acredito que haverá outra organização bem-sucedida, pois creio que estamos vivendo no tempo do fim. Usando Moisés no passado como um tipo da organização que era a Lei, lembramos que Moisés glorificou a si mesmo diante do povo em vez de glorificar a Deus, e não recebeu o privilégio de ir para Canaã com os filhos de Israel. Mas depois de Moisés, veio Josué. Ele é um tipo desse grande reavivamento que está levando a Igreja para a experiência da terra de Canaã. Josué é um tipo daquilo que estava com a Igreja o tempo todo. Essas coisas estiveram com a Igreja, mas não são reconhecidas. Moisés foi tirado do caminho, e Josué levou os filhos de Israel para a Terra Prometida. Muitas das organizações de hoje – não digo todas – tentaram glorificar a si mesmas e ver qual conseguiria ter o maior número de membros, e criticar umas às outras e fazer prosélitos, etc. Hoje Deus está lidando especialmente com indivíduos, chamando a sair de toda igreja, os verdadeiros de coração, aprontando-os para entrar na Terra Prometida, ao contemplarem os sinais e maravilhas deste ministério dos últimos dias que está ocorrendo agora.


PERGUNTA: Esta pergunta diz respeito ao ministério do irmão: Alguns relataram que o irmão declarou que seu poder estava em sua mão esquerda. Sempre o ouvimos dizer que Deus era o Curador e que Deus apenas lhe permitia detectar a natureza das doenças por meio de sua mão esquerda. Isso está correto?

IRMÃO BRANHAM: Fico feliz em lhe responder esta pergunta. Muitas vezes isso tem sido mal-entendido, o que tem levado as pessoas a pensar que havia algum tipo de mágica em minha mão esquerda. Isto é um erro – não há poder em nenhum homem para curar alguém. A cura foi comprada pela morte de Cristo no Calvário, do mesmo modo que Ele assegurou a nossa salvação. A única coisa que os homens podem fazer quanto à cura divina é apontar as pessoas para a obra de Cristo no Calvário e ajudá-las a ter fé no que Ele já fez por nós.

Quando o Anjo do Senhor Se encontrou comigo, Ele não disse que eu teria poder em minha mão esquerda para curar as pessoas. Se verificar meu testemunho, o irmão verá que Ele me disse que eu estava para receber a missão de orar pelos enfermos e transmitir esta mensagem a eles em todo o mundo. Então, quando questionei minha capacidade de fazer isso, depois que Ele me disse que eu oraria por reis e estadistas, e assim por diante, Ele me disse que dois sinais me seriam dados para vindicar o meu ministério, assim como dois sinais foram dados a Moisés. Eu seguraria a mão esquerda da pessoa e seria capaz de lhe dizer o que havia de errado com ela. Isso tem sido muito mal compreendido por muitas pessoas, que supunham que eu sentisse algum tipo de poder curativo passar por minhas mãos. Este é, obviamente, um grande erro.

O Anjo também me disse que mais tarde me seria concedido discernir os segredos do coração das pessoas – dizer-lhes o que elas haviam feito na vida. Isso é bíblico, pois quando Cristo estava na terra, Ele conhecia os pensamentos das pessoas, como no caso em que Ele Se encontrou com Natanael e a mulher junto ao poço.


PERGUNTA: Irmão Branham, o diabo sempre tem suas falsificações. O espiritismo, que obviamente é do diabo, afirma revelar coisas ocultas na vida de uma pessoa, e talvez em alguns casos seja capaz de fazê-lo. Não é verdade que a operação da Palavra da Ciência e a operação do Dom de Discernimento de Espíritos são nitidamente diferentes das manifestações do espiritismo, na medida em que denunciam o pecado que não está coberto pelo Sangue de Jesus, e também alertam o indivíduo descuidado de que ele deve servir a Cristo de todo o coração se quiser receber e manter sua cura? Não é algo muito diferente do espiritismo!

IRMÃO BRANHAM: Sim, irmão Lindsay, é muito diferente do espiritismo. Se voltamos ao Antigo Testamento, descobrimos que quando Deus falou pelos profetas nos dias passados, Ele frequentemente revelou os pecados dos indivíduos. Foi o que aconteceu quando Elias se encontrou com Acabe. Quando o profeta se encontrou com Davi, revelou-lhe os seus pecados. O dom de Deus é o original. A falsificação que o diabo usa no espiritismo é apenas uma fé manufaturada, uma tapeação, uma imitação da coisa real.

Se o pecado está sob o Sangue, o irmão notará que nunca é mencionado. O Espírito Santo nunca o manifesta. Mas se houver pecado não confessado na vida da pessoa – um pecado costumeiro, ou algo que a impediria de ser curada, será revelado.

De certa forma, creio que meu ministério foi dado para preparar o caminho para outros que estão vindo – para que as pessoas saibam, quando vierem em busca da cura, que devem confessar seus pecados e se acertar com Deus, se quiserem obter libertação. Quando nosso Mestre Se encontrou com a mulher junto ao poço, Ele lhe pediu que lhe desse de beber. Então Ele foi direto ao ponto e lhe disse para trazer o marido, revelando assim uma situação que a estava impedindo de beber da Água que Ele lhe havia oferecido. Jesus disse: “Também fareis as obras que Eu faço.” (João 14:12). E este ministério hoje é apenas uma continuação das obras de Cristo através do Espírito Santo. Não tem nenhuma conexão com o espiritismo. Tenho certeza que o irmão notou como os espíritas são condenados quando vêm às nossas reuniões.


PERGUNTA: Tendo em vista os grandes milagres de cura que ocorrem em seu ministério, como a cura do ex-congressista Upshaw, [William David Upshaw nasceu em 15/10/1866 perto de Atlanta, Georgia. Ele serviu no Congresso durante o final de 1910 e toda década de 20 e concorreu para o ofício de Presidente pela Proibição da Bebida em 1932. Aos 84 anos de idade, 66 anos depois de ter se tornado paraplégico, William Branham viu uma visão do congressista Upshaw caminhando. Ele foi instantaneamente curado e usou plenamente suas pernas o restante de sua vida. Pouco antes de sua morte aos 86 anos e meses antes desta entrevista, Upshaw publicou seu testemunho num tratado o qual ele enviou para cada membro do Senado, incluindo o Presidente Truman, Winston Churchill, rei George e Stalin – NT.] que por 66 anos não conseguia andar por si mesmo, cremos que a autenticidade do seu ministério não pode ser contestada com êxito. A pergunta que fazemos é esta: Observamos em muitos casos que o irmão declara a cura de um indivíduo. Em muitos desses casos, investigações posteriores comprovam que a pessoa de fato recebeu a cura. [Algumas campanhas Branham realizadas anos atrás em Saskatchewan e Winnipeg no Canadá, foram alvo de muitas polêmicas onde foi constatada não somente a persistência de doenças em pessoas que receberam oração como também a morte de vários destes – NT.] No entanto, o irmão diria que pelo fato dessa declaração ter sido feita seria impossível a pessoa perder a cura e ficar doente de novo?

IRMÃO BRANHAM: Sim, é possível que a pessoa perca sua cura e fique doente de novo, porque a cura divina se baseia completamente na fé. Por esse motivo, se alguém descrer da Palavra de Deus que foi dita nas Escrituras, isso poderia fazer com que recaísse em sua doença ou no pecado. Eu mesmo sou secundário, mas a Palavra de Deus falada por um Dom através de mim é a Palavra de Deus para o indivíduo. Mas se essa pessoa permitir que um pensamento supersticioso, ou permitir que o diabo coloque dúvidas em seu coração, a Palavra de Deus estará inválida para ela.

Nem todos os enfermos que buscam a cura são curados, assim como nem todos os que vêm para ser salvos são salvos. Às vezes eu vejo a morte ao redor da pessoa. Mas mesmo quando a morte está perto, a oração muda as coisas. Lembra-se de quando foi dito ao rei Ezequias pelo profeta Isaías que pusesse sua casa em ordem porque ele ia morrer? Mas o rei virou o rosto para a parede e chorou amargamente, e pediu a Deus que o poupasse. Deus ouviu o clamor e mandou avisá-lo da sua cura, mudando assim o programa.

Existe muita ignorância quando se trata de coisas práticas reais relativas ao ministério do Espírito. Por exemplo, muitos supõem que se um milagre ocorrer, Deus certamente o concluirá em todos os casos. Mas há o caso de Pedro andando sobre a água – claramente um milagre; mas no momento em que sua fé vacilou, ele começou a afundar.


PERGUNTA: Irmão Branham, o irmão se importaria de nos informar quais são seus planos para os próximos seis meses? Tenho certeza que muitos gostariam de saber.

IRMÃO BRANHAM: Até onde sei, depois da reunião aqui em Shreveport, está previsto que eu tenha cinco noites em Nova Iorque, na Arena St. Nicholas. De lá vou para a África, retornando no começo do ano, querendo Deus. Então estou dependendo do Espírito Santo para me guiar no futuro.

Alguns me escreveram perguntando se pretendo deixar o ministério pelo fato de ter dito que não teria itinerário depois do começo do ano. Como Paulo disse no passado: “Ai de mim! – se não anunciar o Evangelho,” ou deixar de cumprir os deveres que Deus me deu para realizar aqui na terra. Muito pelo contrário, creio que Deus me concederá um ministério maior do que já tive até hoje – algo mais que irá além deste reavivamento atual. Minha intenção é ir para casa, ficar a sós com Deus e verificar qual será o próximo passo – não sair do ministério. Sinto que o tempo do fim está próximo e desejo descobrir qual é a vontade de Deus, e rogo que Deus a revele, e também que a Igreja se torne uma Igreja melhor e mais forte do que nunca antes nas coisas espirituais.


Ern Baxter

A pessoa descrita neste artigo foi uma testemunha do ministério de cura de William Branham. Todavia, esta pessoa não necessariamente concorda com as doutrinas ensinadas por William Branham. Este testemunho é portanto uma evidência independente de que o ministério profético e de cura de William Branham era genuíno.

Ern Baxter foi um ministro que acompanhou William Branham em diversas campanhas entre 1947 e 1953. As reuniões de William Branham eram frequentemente chamadas de reuniões Baxter-Branham, porque Ern Baxter frequentemente pregava. Ele também atuou como administrador das campanhas de William Branham durante estes anos. William Branham mencionou que foi o Anjo do Senhor que o dirigiu ele a contatar Ern Baxter para que acompanhasse William Branham durante suas primeiras campanhas de cura.

Ern Baxter disse o seguinte a respeito do ministério de William Branham:

“Quando William Branham entrou em cena, ele era a única pessoa que tinha um genuíno ministério de cura naquela época”.

“Antes de orar por uma pessoa, ele dava detalhes precisos concernente às indisposições da pessoa, e também detalhes de sua vida – sua cidade onde morava, atividades, ações – até mesmo de volta ao tempo de infância. Branham em nenhuma vez cometeu qualquer erro com a palavra de conhecimento em todos os anos em que estive com ele. Isto cobre, no meu caso, milhares de ocorrências”.

“Ele simplesmente pareceu romper com uma fonte totalmente nova”. “Isto foi simplesmente um desfile do sobrenatural”.

William Branham disse o seguinte a respeito de Ern Baxter, quando estava em Chicago, Illinois, em 1958, alguns anos depois que Ern Baxter retornou a pastorear sua igreja em Vancouver, Columbia Britânica, no Canadá:

“Eu não tenho conseguido um administrador oficial de campanhas nestes dias, desde que o nosso querido e precioso irmão Ern Baxter tinha retornado à sua igreja. Ela estava chamando por ele. Sua igreja é quase do tamanho deste auditório. Assim estar perambulando através do país comigo, sua igreja não permaneceria por nenhum tempo mais. Ele tinha que voltar para eles ou ele teria provavelmente perdido a sua igreja. Uma alma maravilhosa, um maravilhoso homem de Deus, e eu o amo. Porém ele tinha que voltar, e desde então, eu não tenho tido um gerente de campanha. Assim eu tenho que tentar falar por mim mesmo”.

(Sermão “A Porta do Coração”, Chicago, Illinois, 12/01/1958, § 4)

Este texto foi extraído do site www.en.believethesign.com

O que vem a seguir é uma porção de uma entrevista com Ern Baxter publicada na edição de Dezembro de 1978 da Revista Vinho Novo [Tradução para “New Wine Magazine” – NT.]


Entrevista Com Ern Baxter

PERGUNTA: Em seu livro “Tudo é Possível”, o qual é uma vista histórica dos reavivamentos carismáticos e de cura na América moderna, David Harrel, fez esta declaração: “Poucos observadores sábios reconheceram a significância das grandes campanhas de cura dos anos 50; não muitos daqueles fascinados pelo movimento carismático hoje entendem suas origens”. Você pode nos dizer que tipo de “clima” religioso havia nos anos pós II Guerra, e quais circunstâncias tornaram a era de reavivamentos de cura possível?

IRMÃO ERN BAXTER: A atmosfera e clima religioso naquele tempo foram de uma baixa espiritualidade. Todos os acontecimentos sobrenaturais ao redor do mundo foram relatados como sendo bastante significantes.

Em minha opinião, todo o elemento sobrenatural no pentecostalismo foi geralmente muito baixo. Houve pequenas bênçãos, porem não havia um reavivamento expandido. Uma das razões do porque o impacto o qual o acompanhamento de curas produziu o movimento de cura, foi porque não havia existido uma onda de curas por um longo tempo. Em 1933 numa grande conferência pentecostal, muitos dos representantes da época estavam cansados de discutirem razões do porque as pessoas não estavam mais recebendo o batismo do Espírito Santo e a falta de curas e conversões. Consequentemente, eu teria a dizer que o clima espiritual era bastante baixo. Isto determinou um pano de fundo, então, para o advento do reavivamento de cura.

Quando William Branham entrou em cena, ele era a única pessoa que tinha um genuíno ministério de cura naquela época. Mesmo os irmãos Jeffreys da Grã Bretanha haviam chegado ao máximo de seu ministério, o qual foi no final dos anos 30.

Assim o “clima” religioso foi um no qual o sobrenatural tinha aparentemente cessado.

Depois quando Branham rompeu em cena com a qualidade do sobrenaturalismo que ele demonstrou, isto foi interessante por causa de sua relativa novidade.

PERGUNTA: O que levou sua união à sua equipe? Ele pediu a você, ou você apenas teve um contato com ele e depois um relacionamento mais forte?

IRMÃO ERN BAXTER: Eu estava tirando umas férias e li a respeito dele no ‘Time Magazine’ no avião. Eu estava a caminho com minha esposa a Winnipeg, Canadá, para visitar amigos de lá. Durante o jantar com eles, meu anfitrião, um proeminente homem de negócios de Winnipeg, disse: “Há um ministro incomum abaixo na Igreja de Zion. Seu nome é William Branham”.

Eu disse: “Eu há pouco li sobre ele no avião”. Assim nós decidimos estar presente. Após o jantar, partimos para a reunião e chegamos em torno das nove horas a esta igreja de certa forma grande. (Creio que havia dois mil assentados). O lugar que eu vi foi, por quatro dias, muito impressionante. Havia uma multidão de pessoas do lado de fora, ouvindo a Branham pelos alto-falantes porque eles não conseguiam entrar. Eu fiquei lá no escuro e o ouvi.

O que eu ouvi foi único, incomum! Eu nunca tinha ouvido qualquer coisa como isso antes. Isto foi simples e direto. Ele estava falando sobre demônios e o poder de Deus para curar. Embora isto fosse básico, havia alguma coisa muito atrativa sobre isto.

Enquanto eu estava no escuro, eu disse ao meu anfitrião: “Tenho um sentimento de que irei ter alguma coisa haver com este homem”. Fomos para casa e não tentei fazer contato com ele. Mais tarde, Branham foi a Calgary, Alberta. Até então, naturalmente, sua reputação era bem conhecida, e eu decidi levar alguns do meu povo para Calgary.

Naquele tempo Branham tinha um ou dois homens viajando com ele, com os quais centralizavam as responsabilidades em arranjar as reuniões. Branham estava fazendo a parte principal do ministério. Ele orava por vários milhares de pessoas a cada noite. Porque seu peso era tão grande, outros ministros que podiam lidar com uma vasta multidão foram convidados a participar nas reuniões da tarde. Porque eu era conhecido em Calgary, fui convidado a conduzir o culto da tarde. Eu me recordo do tema sobre o qual falei: “Este é o dia que o Senhor tem feito, nos alegraremos e seremos satisfeitos nele”. Eu apontei que este era o dia do Evangelho e o dia no qual deveríamos estar alegres por todas as bênçãos da graça de Deus. Aparentemente, os homens que ouviram me tomaram a palavra de volta para ele.

Depois de ficar por dois ou três dias, voltei para casa, novamente sem tentar fazer contato com Branham pessoalmente. Quando eu cheguei de volta a Vancouver, um número de ministros veio juntamente e disseram: “Devemos trazer William Branham aqui”. Foi-me solicitado para dirigir as reuniões, as quais eu dirigi.

Mais tarde, Branham pediu para me ver pessoalmente. Ele disse que havia estado em oração e que o Anjo do Senhor havia falado para ele e lhe dito que era para eu ser seu companheiro no ministério. Ele convidou para unir-me a ele.

Naquele tempo, eu era pastor de uma vasta igreja, e consegui permissão deles, unindo-se a Branham em Ashland, Oregon. Comecei a viajar com ele tantas vezes quanto eu podia estar longe de minha igreja. Um ano eu estava afastado oito meses.

Quando ele falava, especialmente naqueles primeiros dias, ele dizia algumas coisas que eram terrivelmente provocativas. Para mim, desnecessariamente. Assim quando conversamos juntos, concordamos que fora dar seus testemunhos e de relatar a história de sua vida, eu faria toda a pregação, e ele faria toda a parte da ministração aos enfermos. Era desta maneira que era quando estávamos juntos.

Eu estava com Branham de 1947 até que eu tive que deixá-lo, em torno de 1953 ou 1954. F. F. Bosworth uniu-se tempos depois de mim e participou de algumas das reuniões.

PERGUNTA: Você poderia descrever brevemente o ministério de Branham e alguns de seus pontos altos? O que motivou ele a surgir repentinamente em cena nacional?

IRMÃO ERN BAXTER: Bem, Branham tinha uma tremenda palavra de conhecimento. Antes de orar por uma pessoa, ele dava detalhes precisos concernente às indisposições da pessoa, e também detalhes de sua vida – sua cidade onde morava, atividades, ações – até mesmo de volta ao tempo de infância. Branham em nenhuma vez cometeu qualquer erro com a palavra de conhecimento em todos os anos em que estive com ele. Isto cobre, no meu caso, milhares de ocorrências. O uso da palavra de conhecimento de Branham começou como um fenômeno em sua mão. Ele tomava a mão da pessoa na sua. Imediatamente na base de seu polegar, na parte grossa da sua mão, havia uma manifestação específica de acordo com a enfermidade ou necessidade. Por ver o fenômeno tão frequentemente, eu comecei a travar conhecimento sobre o que estes eram e me tornei perito em interpretá-los. A tuberculose era uma luz rosa corada. O câncer era uma inflamação de aparência vermelha na qual a bola do seu polegar parecia agitar como uma onda.

PERGUNTA: Isso era de fato visível?

IRMÃO ERN BAXTER: Sim, você podia ver isto. Depois isto dava caminho para a honesta palavra falada onde ele dava detalhes precisos concernente a pessoa. Ele nunca falhou, e isto criava um impacto tremendo.

…Vários dos curadores subsequentes receberam sua iniciativa por ele. Ele foi revelado como a origem principal do reavivamento de cura dos anos 50 e 60. Muitos dos homens que começaram a organizar encontros de cura depois de Branham tiveram ministérios de vida curta. Vários deles não conseguiram lidar com o ministério e seu consequente reconhecimento feito a eles pessoalmente.

A proeminência e visibilidade que isto criava eram inacreditáveis. Muitas pessoas não conheciam cura ou que existisse qualquer coisa sobrenatural. O ministério alcançou e tocou pessoas nas denominações. Isto foi daquela maneira bastante efetivo. Pessoas, naturalmente, preocupavam-se com seus corpos, deste modo elas vinham – alguns centenas e outros milhares de milhas. Era difícil lidar com a adulação e o elogio. Era quase como a experiência de Paulo e Barnabé quando eles foram considerados “deuses do céu”.

PERGUNTA: Você pode relatar algum dos mais memoráveis tempos com ele e algum dos eventos que você vividamente se recorda do seu tempo junto com ele?

IRMÃO ERN BAXTER: Bem, tentar lembrar ou escolher algumas ocorrências sobrenaturais consideráveis com Branham é um tanto dificultoso porque isto foi simplesmente um desfile do sobrenatural. Numa ocasião, estávamos abaixo nos estados sulistas, e num encontro em um grande auditório. Na primeira ou segunda noite ali, o irmão Branham veio para um determinado homem na fila de cura. Ele olhou para ele e disse: “Senhor, vejo que você tem vindo até esta fila esta noite para me enganar. De fato, eu vejo você na noite anterior sentado num quarto ao redor de uma mesa com outros quatro ministros. Você é um ministro de tal e tal denominação”. Ele apontou para a galeria e disse: “Aqueles quatro homens sentados ali em cima, são seus amigos, e você conspirou na noite anterior como me enganar. Era para eu dizer o que estava errado com você, e você iria negar isto”. Eles simplesmente deram a volta e correram do edifício.

…Uma vez em Des Moines, Iwoa, um missionário dos mares do sul que havia há pouco voado de sua casa por causa de uma indisposição muito séria estava parado na frente dele. Branham começou se aproximar dizendo: “Oh, você é um missionário. Você há pouco voou hoje”. E depois ele disse o nome do lugar de onde ele tinha vindo. Naquilo, a multidão inteira entrou em júbilo.

PERGUNTA: Branham havia tido algum contato com algum dos homens anteriores, como Smith Wigglesworth [Smith Wigglesworth (1859 – 1947) foi um evangelista britânico e uma importante figura do início da historia do Pentecostalismo – NT.], ou os Jeffreys? [Stephen Jeffreys (1876-1943) e seu irmão George eram missionários internacionais e promoveram muitas reuniões de cura divina em diversos países. Vindos do Avivamento de Gales, visitaram os EUA e Canadá em 1924 – NT.] Qual teria sido a inspiração para o seu ministério?

IRMÃO ERN BAXTER: …Ele era relativamente um homem iletrado, e assim não teve uma ampla leitura. Ele era um grande caçador. Suas habilidades eram no reino natural e habilidades intuitivas. Eu lhe questionei acerca de várias pessoas. Ele não conheceu o Dr Charles Price, [Dr Charles Price (1887-1947) foi um grande ministro de reavivamento de cura divina. Gordon Lindsay por três anos pastoreou uma das igrejas que vieram do seu reavivamento – NT.] quem havia tido um grande ministério de cura no passado nos anos 20 e 30, ou qualquer dos outros que eu mencionei.

Eu não vejo qualquer inspiração para o seu ministério vindo de qualquer destes homens anteriores, certamente não no reino de sua palavra de conhecimento. Com respeito ao que quer que Deus tenha feito no espírito, não tenho conhecimento. Mas no reino de sua palavra de conhecimento, não houve modelos humanos que ele pudesse ter se moldado. Ele simplesmente pareceu romper com uma fonte totalmente nova. Ele foi um missionário batista, deste modo sua tradição não o uniria com o pentecostalismo histórico.

PERGUNTA: Como ele foi recebido pelas pessoas nos anos 50?

IRMÃO ERN BAXTER: Ele foi alegremente recebido pelo povo comum por causa da manifestação de Deus e de seu ministério. Porém para a maioria dos ministros ele foi um enigma desde o princípio. Primeiro de tudo, ele era teologicamente tão bem quanto academicamente iletrado. Quando ele falava, sua gramática de inglês era ruim, e sua teologia pior.

Uma porção de ministros rangia seus dentes e espremiam suas mãos quando ele pregava. Uma das razões do porque me uni a ele foi para tentar articular e fornecer uma apologética para o seu ministério.

PERGUNTA: Quais foram algumas das experiências pessoais que você teve com ele como seu amigo e companheiro e ministro?

Tivemos uma grande amizade fraternal. Caçávamos juntos e caminhávamos grandes distâncias. Branham era um homem muito simples. Ele havia mantido e controlado os limites para a convivência do poder em sua área e caminhar ao ar livre era sua vida. Assim, caminhávamos e conversávamos juntos. Éramos grandes amigos.

 

Este texto foi traduzido na íntegra do inglês para o português em Janeiro de 2009 e reeditado em abril de 2011.

Fonte: Voice of God Recordings
Tradução: Diógenes Dornelles

gravações a voz de Deus

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