Mensagem de William Branham Para a Igreja
Gordon Lindsay Entrevista William Branham

Irmãos Gordon Lindsay, William Branham e Jack Moore.
GORDON LINDSAY: Esforços estão sendo feitos hoje por grandes denominações para estabelecer um grande governo de igreja. Delegados de mais de cem igrejas e denominações reúnem-se em Evanston, Illinois. Você acha que é da vontade de Deus que todos nós fiquemos debaixo de uma cabeça denominacional? Nós entendemos que Deus colocou o dom de “governos” na igreja, mas nem muita instrução é dada sobre a forma que este governo irá tomar. A igreja primitiva era uma igreja comum, onde todos vendiam tudo que tinham, e tinham todas as coisas em comum. Ninguém afirma que este é o método a ser aplicado hoje, então aparentemente Deus não estabeleceu a forma exata de governo que a igreja deve tomar. Você poderia nos dar alguns esclarecimentos sobre o plano de Deus para o governo da igreja?
WILLIAM BRANHAM: Obrigado irmão Lindsay. Eu acho que essa é uma questão importante que você tem me perguntado. Eu não tenho a pretensão de ser capaz de resolver todas estas coisas, mas vou dar a você o meu entendimento sobre o assunto, para o melhor de meu conhecimento. Eu sou um grande crente num Deus guiando cada igreja local. Eu creio que o dom de “governos” deve ser com o propósito de governar cada igreja. Eu acredito na unidade entre as igrejas, é claro, mas cada igreja possui o seu próprio ministério e a mais alta ordem na igreja local que eu possa encontrar na Bíblia é aquela do presbítero.
Como o dom de “governos” estaria sobre esse presbítero, ele receberia a inspiração do Espírito Santo de como ele deveria administrar a sua igreja. Se você observar quando você viaja, você verá a peculiaridade de cada igreja; uma vai parecer um pouco diferente da outra, e eu penso que é a obra do Espírito Santo. Aí que está o nosso problema hoje. Agora, enquanto o Espírito Santo trata uma igreja de uma maneira, Ele pode lidar com uma outra igreja de uma outra maneira. Veremos isso em execução na natureza. Uma árvore cresce bem alta, e a outra baixa. E nós encontraremos isso na estatura dos homens, encontraremos isso na natureza dos povos. Mas, afinal de contas, não somos todos humanos? Não deveríamos ser irmãos? Eu acho que deveríamos ter um acordo, como ministros cristãos, para que estejamos em unidade um com o outro, embora cada igreja tenha o seu próprio governo. Assim, o Espírito Santo governa uma igreja de uma maneira, e outra igreja de outra maneira. Mas, muitas vezes, é aí onde vem o problema. Um pastor receberá inspiração e a sua igreja será governada de uma forma, e a outra de uma maneira diferente. Então ao invés de manter a unidade, eles brigam e discutem e tentam tornar ambas as igrejas a mesma, quando elas não podem ser a mesma.
Além do mais, irmão Lindsay, poderia se dizer que cada igreja funciona como uma casa. Talvez na minha casa eu fosse governar a minha família de uma forma diferente da que você iria governar a sua família, ainda que sejamos irmãos. Eu tenho vários irmãos, vou até os seus lares, e observo como eles disciplinam seus filhos. Pode ser diferente da minha. Eu tenho a minha maneira, e eles tem a maneira deles. E eu acho que eles possuem filhos adoráveis e eu possuo filhos adoráveis, e nós somos irmãos. E eu acho que é dessa maneira que os governos da igreja deveriam ser.
Se pudéssemos ver isso internacionalmente. Aqui na América nós somos governados por uma democracia, e outro por um reino ou alguma outra forma, mas somos todos irmãos sobre a terra. Se pudéssemos fazer algo hoje que fizesse com que todos os reinos deste mundo reconhecessem uns aos outros como irmãos; fazer com que todas as nações reconheçam que elas podem ter a sua forma peculiar de governo, e ainda assim reconhecer uns aos outros como povos irmãos, nós teríamos alguma coisa. O mundo estaria em paz, e o Milênio estaria à frente. Mas eles não fazem isso. E só há uma maneira deles poderem fazer isso, que é quando o Espírito Santo assume o governo e reina sobre a terra.
Acho que isso também se aplica à Igreja. Eu acho que se uma igreja tenta levar todas as igrejas para uma organização, isso nunca irá funcionar. Só há uma coisa que irá fazer isso, que é quando o Espírito Santo se move para o corpo de crentes e todos eles se tornam um. Pois cada igreja tem a sua própria maneira peculiar de crença, e governo, e tentar fazer todas as outras igrejas da mesma maneira nunca irá funcionar.
Enquanto estivermos aqui neste mundo, eu acho que devemos nos esforçar para manter a unidade do Espírito e deixar o governo das igrejas com o seu próprio negócio. Deus governa um pouco diferente do outro. Mas devemos ter comunhão um com o outro, pois estamos adorando um só Deus, e temos o mesmo Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
GORDON LINDSAY: Pelo o que você disse, a unidade da Igreja deve ser um resultado da obra do Espírito Santo. No entanto, somos co-obreiros com Deus. De que maneira podemos ajudar a restaurar a unidade do Corpo de Cristo?
WILLIAM BRANHAM: Deixe-me responder a essa pergunta dessa maneira. Há algumas noites atrás, eu estava olhando algumas fotos trazidas da Palestina, mostrando o cumprimento das Escrituras. As imagens chamaram a atenção para Isaías 35, onde diz que o deserto florescerá como a rosa, e a terra seria restaurada para o cultivo. E mais do que isso, Deus está cumprindo a Sua promessa de enviar os Seus filhos e filhas desde os confins do mundo, de volta à terra de seus pais. E para aqueles que estavam retornando estavam fazendo esta pergunta: “Por que você está vindo aqui? Voltando à terra natal para morrer?”. Eles estavam trazendo os seus coxos e mancos e cegos, voltando de todas as partes do mundo, por navios, aviões e de outras maneiras. Mas alguns deles disseram: “Não estamos voltando para morrer, mas estamos vindo para ver o Messias”.
Agora observe. Deus deixou o homem seguir o seu curso em todas as coisas. Creio que o mundo percebe isso agora. Depois de os reinos deste mundo serem entregues para o homem governar, eles fizeram uma conglomeração e uma bagunça disso tudo. Eles não podem governar isso. E eu penso a mesma coisa sobre as igrejas. O homem não pode governar a igreja. Cristo é a Cabeça da Igreja, e cada indivíduo deve estar totalmente submetido a Ele. Eu acredito que o tempo está chegando em breve, e é por isso que você está perguntando para este artigo. Em todo o mundo há uma fome por essa unidade. Eu creio que é uma obra do Espírito Santo, e só o Santo Espírito pode fazer isso.
Exatamente como aqueles pobres judeus ignorantes retornando, sem saber nada da Bíblia. E eles nem sabem por que eles estão voltando. Ele estão somente procurando pelo Messias, e nós, como mestres proféticos, sabemos que isso está cumprindo as Escrituras. Eles estão voltando porque o Espírito Santo está trazendo- lhes de volta à terra natal para a vinda do Senhor. Então, a obra do Espírito Santo também é para preparar a Igreja para a Sua vinda. Tenho sentido isso nos últimos oito anos de meu ministério. Você tem visto isso. Homens estão falando sobre isso em toda parte. É o próprio Espírito Santo nos reunindo. Eu creio que se cada homem for orar pelo cumprimento desta visão, o Espírito Santo finalmente cumprirá essa tarefa de levar a Igreja a uma grande unidade.
A Igreja Primitiva era de um só coração, uma só alma e uma só mente, porque o Espírito Santo os tornou um. Estamos vivendo nos dias da restauração. Exatamente como Israel está sendo restaurado à sua terra natal, assim a Igreja está sendo restaurada ao seu poder apostólico, pelos grandes sinais e prodígios. E a próxima coisa que está em ordem é uma grande unidade do Espírito, e o tempo parece maduro. Portanto, se as pessoas olhassem para isso, e ficassem na ponta dos pés da expectativa por isso, o Senhor uniria o Seu povo novamente naquele um só coração, uma só alma e um só espírito, em resposta à oração do Senhor.
GORDON LINDSAY: Tem sido dito que este trabalho de unir o Corpo de Cristo é uma obra do Espírito. Será que compreendemos você corretamente, então, de que o nosso trabalho é começar a reconhecer o que Deus já fez? Isto é, devemos reconhecer o Corpo de Cristo?
WILLIAM BRANHAM: Sim, é isso. Devemos estar na nossa ponta dos pés. Todas as oportunidades que vemos para fazer isso, colocar cada esforço que pudermos para que isso aconteça – o reconhecimento do Corpo de Cristo – é, creio eu, a vontade de Deus.
GORDON LINDSAY: Irmão Branham, Jesus sem dúvida reconheceu que haveria de vir diferenças entre os membros de Sua Igreja. Uma das poucas coisas que Jesus disse diretamente sobre a Sua Igreja foi: “Se teu irmão tem alguma coisa contra ti, vá até ele”. Você acha que isso estabelece um princípio?
WILLIAM BRANHAM: É isso mesmo, irmão Lindsay. Isso é verdade. Em todo o mundo as pessoas estão começando a pensar dessa maneira. Para aqueles que leem estas palavras eu digo para que busquem e trabalhem para encontrar uma maneira de trazer essa unidade para o povo. Eu gostaria de dizer isso. Quando eu vim pela primeira vez entre as pessoas do Evangelho Completo, eu pensei que o Milênio tinha começado, tão feliz estava eu sobre esse maravilhoso companheirismo. Mas o meu coração se quebrou quando eu os encontrei divididos em diferentes organizações. Desde então, todo o meu esforço foi para reuni-los. Eu estou tentando de todo o meu coração dar o exemplo. Se esta ou aquela organização quer que eu vá para uma reunião, eu irei com prazer fazer isso. Não importa quem eles sejam, eu estou tentando ficar na brecha e dizer: “nós somos irmãos”. Eu estou tentando ver toda a Igreja unida em espírito. Eu acho que está exatamente certo que devemos produzir todos os esforços para trazer a unidade para a Igreja.
GORDON LINDSAY: Alguns anos atrás uma série de líderes das organizações do Evangelho Completo se reuniram. Até aquele momento eles dificilmente haviam se visto um ao outro face a face. Mas eles se reuniram e descobriram que havia uma verdadeira base de companheirismo entre eles. Mas, em grande medida, essa comunhão tem ficado no nível superior. Agora, você não acha que é um exemplo a seguir? Deve esse companheirismo apenas permanecer no nível superior, ou deveríamos seguir o seu exemplo nos níveis mais baixos?
WILLIAM BRANHAM: Sim, irmão Lindsay, eu acho que foi maravilhoso para eles se reunirem. Eu acho que todos nós devemos. Deixe-me dar um pequeno exemplo: o irmão Jones vive aqui na esquina. Eu disse algumas coisas ruins sobre ele, e ele disse algumas coisas ruins sobre mim. Nós nunca nos encontramos, apertamos as mãos ou falamos um com o outro. Eu acho que devemos ir até a esquina, se encontrar e conversar um com o outro. Um pequeno companheirismo resolveria os nossos problemas.
[Fim da primeira parte]
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GORDON LINDSAY: Irmão Branham, A VOZ DA CURA sempre tem se posicionado pela unidade do Corpo de Cristo, e, portanto, isso tem sido a nossa política para cooperar com as organizações que creem no poder de Deus. O que você tem a dizer com respeito a esta política, a qual você nos ajudou a iniciar?
IRMÃO BRANHAM: Como dizem as Escrituras em Judas: “Eu estou batalhando ardentemente pela fé”. Eu tive oportunidades para começar uma outra organização religiosa, mas eu não tenho tal intenção e nem jamais tive uma intenção de fazer assim. Nós possuímos uma grande quantidade de organizações; tudo que nós precisamos é de entendimento entre elas.
Agradeço a Deus por eu estar vivendo para ver o fruto do que eu tenho me posicionado durante estes anos. Alguns anos atrás era muito difícil obter homens de várias organizações para terem companheirismo uns com os outros. Essa barreira agora está sendo quebrada. Aqui está um ministro da Igreja de Deus e aqui está um outro da Assembleia de Deus, ambos cooperando na mesma reunião nos cafés das manhãs onde homens de diferentes grupos tem colocado os seus braços um em volta do outro.
Algum tempo atrás eu estava conversando com um capelão que esteve na última guerra. Ele estava em uma prisão japonesa e estava quase morrendo de fome. Ele caminhou até o jardim e ergueu suas mãos e disse: “Bem Deus, eu creio que Tu irás me levar para casa a partir deste lugar”. Ele se ajoelhou e orou e quando ele abriu os olhos ele viu um guarda olhando para ele. O guarda não podia pará-lo, mas o capelão pensou que ele desejava dizer algo para ele, então ele saiu de onde ele estava.
E a sentinela passando por perto disse: “Você é um cristão?”. Ele disse: “Sim”. A sentinela disse: “Eu também sou cristão”. Agora, se essa sentinela tivesse o seu caminho a guerra teria terminado. Por quê? Porque o Espírito de Deus estava sobre ele, e ele sentiu que ele e o capelão eram irmãos. É dessa maneira que deveria ser com a igreja cristã. Nós podemos discordar de organização ou denominação, mas mesmo assim nós somos irmãos.
GORDON LINDSAY: Irmão Branham, você crê que chegou a hora quando nós deveríamos fazer uma declaração bem definitiva para o Corpo de Cristo? Para deixarmos claro para toda a Igreja de que nós estamos reconhecendo todos os membros do Corpo de Cristo?
WILLIAM BRANHAM: Sim, irmão Lindsay. Um outro exemplo que eu gostaria de referir a este hora é quando você e eu e o irmão Moore estávamos na Finlândia e o poder de Deus desceu. Havia alguns russos que haviam atravessado a fronteira. Quando aqueles cristãos russos encontraram os cristãos finlandeses, eles jogaram os seus braços em volta um do outro e choraram. Agora, esse foi um perfeito exemplo de irmandade. Eu perguntei ao pastor lá sobre isso e ele disse: “Sim, irmão Branham, aqueles cristãos são russos”. Eu disse: “Bem, qualquer poder que pudesse fazer um finlandês por os seus braços em volta de um russo e chamá-lo de ‘irmão’ é um poder que resolverá tudo”. Jesus disse que nós somos o sal da terra, mas se o sal perde o seu sabor então ele não é bom para nada senão para ser “lançado debaixo dos pés dos homens”. Se o nosso amor está somente dentro de nossa denominação, então somos como um punhado de areia que se parece com o sal. Vamos ter companheirismo juntos e se somos sal de verdade criaremos uma sede nos outros. Isso provocará uma sede nos outros para ter o amor de Cristo em seus corações.
GORDON LINDSAY: Se Deus unge um evangelista de uma determinada denominação com um ministério de cura, você acha que é certo para as pessoas daquele grupo pensar que esta unção especial é dada para abençoar somente a sua organização?
WILLIAM BRANHAM: Eu não acho que qualquer evangelista devesse permitir a sua influência para ser usada assim. Por exemplo, alguns dias atrás eu aceitei um convite para pregar em uma grande igreja. Quando eu cheguei lá eu descobri que o propósito de eu ir era para usar qualquer influência que eu tivesse para conseguir membros de uma outra igreja. A outra igreja também havia me dado um convite para o mesmo propósito. Eu não iria a nenhuma das duas porque eu não creio que um ministro devesse usar a sua influência para fazer proselitismo por qualquer igreja. Creio que todos nós deveríamos ser irmãos e ter respeito um pelo outro.
GORDON LINDSAY: Na oração de Cristo que mencionamos, Jesus também orou ao Pai dizendo: “A glória que TU Me deste Eu tenho lhes dado para que eles possam ser um como Nós Somos um”. Uma das coisas pelas quais a Igreja tem estado orando é para que a glória de Deus repouse sobre a Igreja como nos tempos apostólicos. Você crê partindo dessa Escritura que a unidade da Igreja é uma necessidade se esta glória que Cristo prometeu está para vir sobre a Igreja?
WILLIAM BRANHAM: Sim, irmão Lindsay, eu creio de todo o meu coração e tenho sustentado isso desde que eu vim para o meio do povo do Evangelho Completo. A única coisa que eu posso ver agora que está afastando esta glória do povo do Evangelho Completo são as divisões entre eles. Se eles se reunissem, não para todos estarem em uma igreja, mas para terem companheirismo e serem um no Senhor, então o Espírito Santo derramaria os Seus dons sobre a Igreja e os dias apostólicos retornariam.
GORDON LINDSAY: Sabemos pela Escritura que o plano de Deus para a Sua Igreja é que ela possa se tornar perfeita. Todavia quando Cristo vier nós entendemos que será uma Igreja gloriosa “sem mancha e nem ruga”. Você crê que existe significância na última parte da oração de Jesus onde Ele diz: “Eu neles, e Tu em Mim, para que eles possam ser aperfeiçoados na unidade”?
WILLIAM BRANHAM: Sim, irmão Lindsay. É dessa maneira que eu vejo isso. Quando nós nos unimos através do Espírito Santo nos tornamos mais parecidos com Cristo. É dessa maneira que a Igreja se tornará perfeita. Paulo escrevendo em 1 Coríntios 12, fala de vários membros do Corpo, e que um membro não pode dizer para o outro: “Não preciso de ti”. Então ele diz de uma maneira mais perfeita. Essa maneira mais perfeita está em 1 Coríntios 13, onde o apóstolo fala sobre o amor divino. Se pudermos simplesmente passar por alto nossas diferenças nós nos amaremos um ao outro. Paulo disse que algum dia as línguas cessariam e as profecias cessariam – quando aquilo que é perfeito chegar. Quando o verdadeiro amor cristão vier em meio aos irmãos, então você verá a Igreja chegar à perfeição. É a minha fé de que isto terá quer ser feito pelo Espírito Santo.
[Fim da segunda e última parte]
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Uma audiência de tarde da Campanha Branham no Prédio de Exposição Livestock, Los Angeles, reunião sustentada pelo Companheirismo dos Homens de Negócio do Evangelho Completo.
Fonte: Revistas “A Voz da Cura”, Volume 7, Nº. 7, outubro de 1954 e Volume 7, Nº. 12, março de 1955.
Tradução: Diógenes Dornelles
